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Pagamento em dinheiro representa menos de 7,5% das transações em pedágios no Brasil

Expansão de cartões, Pix e TAGs altera a arrecadação nas rodovias e reduz o uso de cédulas nas concessões
Por Redação em 29 de janeiro de 2026 às 7h44
Pagamento em dinheiro representa menos de 7,5% das transações em pedágios no Brasil
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O pagamento em dinheiro responde atualmente por menos de 7,5% das transações realizadas nas praças de pedágio do país, segundo dados das principais concessionárias que operam rodovias federais e estaduais. A redução ocorre após a ampliação dos meios digitais de pagamento, cuja aceitação passou a ser obrigatória por portaria do governo federal há quase dois anos, alterando de forma estrutural a dinâmica de cobrança nas estradas brasileiras.

A obrigatoriedade da oferta de cartões e Pix entrou em vigor no início de 2024 e, à época, encontrou resistência por parte das operadoras de rodovias. As concessionárias apontavam dificuldades técnicas, especialmente relacionadas à conectividade necessária para o Pix, além de custos adicionais de implantação e o risco de aumento de filas nas praças de pedágio. Com a consolidação do modelo, parte dessas limitações foi superada, segundo avaliação do Ministério dos Transportes.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) e do Ministério dos Transportes, todas as concessões federais passaram a aceitar cartão de débito, ante 85% em abril de 2024. A aceitação de cartão de crédito avançou de 54% para 76% no mesmo período. Já o Pix, que estava disponível em apenas três das 174 praças no início da implementação, passou a ser aceito por cerca de 70% das concessionárias.

A adoção dos novos meios não é obrigatória, de forma imediata, para contratos firmados antes de 2024. O tema ainda está em análise na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável por consolidar as regras aplicáveis às concessões vigentes. Para os contratos mais recentes, no entanto, a aceitação de cartões e Pix já integra as exigências regulatórias.

Segundo o Ministério dos Transportes, uma parcela relevante da arrecadação de pedágios já ocorria por meios eletrônicos antes da mudança, principalmente por meio das TAGs de pagamento automático. Usuários sem esses dispositivos, entretanto, dependiam do pagamento em dinheiro, o que mantinha a circulação de valores em espécie nas praças de cobrança, consideradas pontos sensíveis do ponto de vista operacional e de segurança.

A substituição do dinheiro físico por meios eletrônicos reduziu a necessidade de logística para guarda e transporte de valores, além de diminuir a exposição a riscos associados a assaltos e ocorrências nas cabines de cobrança. A mudança também trouxe impactos operacionais, com redução de custos e maior previsibilidade nos fluxos financeiros das concessionárias.

As TAGs lideram a migração dos meios de pagamento. No Sistema Ecovias, que reúne 12 concessionárias, 82,4% das transações são realizadas nas pistas automáticas. Nas rodovias administradas pela Motiva, também em um conjunto de 12 concessões, a participação das TAGs passou de 75% em 2023 para 83% em 2025. Na Arteris, responsável pela gestão de sete rodovias, o pagamento automático representa 85,3% das transações.

Na sequência, os cartões de débito e crédito aparecem como alternativa para usuários que não utilizam TAG. Nas concessões da EcoRodovias, os cartões respondem por 10,8% das transações. Na Motiva, a participação conjunta de débito e crédito subiu de 7,8% para 11% nos últimos dois anos. Já na Arteris, o cartão de débito por aproximação corresponde a cerca de 7% das operações.

Em sentido oposto, a participação do dinheiro caiu de forma consistente. Nas rodovias administradas pela Motiva, o pagamento em espécie recuou de 13,1% para 4,7% do total. Na EcoRodovias, representa 6,2% das transações, enquanto na Arteris corresponde a 7,5%. A Motiva informou que planeja eliminar completamente o uso de dinheiro físico até o fim de 2026.

Apesar da ampliação da aceitação, o Pix ainda tem participação limitada nas transações de pedágio. No Sistema Ecovias, a modalidade representa 0,4% dos pagamentos. Na Arteris, onde a implementação ainda está em fase inicial, o Pix responde por menos de 1% das operações.

Segundo o Ministério dos Transportes, a baixa adesão está relacionada a desafios técnicos, como a necessidade de instalação de totens em diferentes alturas para atender veículos leves e pesados, além da exigência de sinal estável de telefonia móvel nas praças. Uma das preocupações iniciais das concessionárias era o impacto do Pix no tempo de parada dos veículos, mas a experiência operacional indicou que o processo pode ocorrer em tempo semelhante ao dos pagamentos por cartão.

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