
Empresários de Itajaí (SC) decidiram financiar o projeto executivo de readequação do trevo entre a BR-101 e a Rodovia Jorge Lacerda (SC-412), em iniciativa voltada a reduzir gargalos logísticos no acesso ao Porto de Itajaí. O custeio será realizado pelo Instituto Mais Itajaí, entidade formada por cerca de 60 empresas locais, que assumirá a elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) e do projeto executivo da intervenção.
A obra é estimada em mais de R$ 60 milhões e busca ampliar a capacidade do entroncamento rodoviário, atualmente apontado como ponto crítico para o escoamento de cargas no litoral norte catarinense. Em 2025, o Porto de Itajaí movimentou 4,7 milhões de toneladas, com crescimento superior a 400%, segundo dados da Secretaria Estadual de Portos, Aeroportos e Ferrovias.
O cruzamento entre a BR-101 e a SC-412 concentra tráfego urbano e fluxo intenso de caminhões porta-contêineres, gerando filas e impactos operacionais para transportadores e operadores portuários. A iniciativa privada afirma que a entrega do projeto técnico permitirá ao poder público avançar diretamente para a fase de licitação e execução da obra, reduzindo etapas burocráticas.
O investimento do Instituto no projeto é de aproximadamente R$ 265 mil, com prazo estimado de 180 dias para conclusão dos estudos. A entidade informa que esta é a sexta iniciativa estruturante financiada pelo grupo, que soma mais de R$ 6 milhões aplicados em projetos de planejamento urbano e infraestrutura regional.
Entre os estudos em andamento estão propostas de novo acesso à BR-101 pela Praia Brava, implantação de terminal de cruzeiros, desenvolvimento do Contorno Viário Oeste — conectando as rodovias Antônio Heil e Jorge Lacerda — além de projetos de habitação social e ligação da Zona Industrial Portuária do bairro Murta à Via Expressa Portuária.
A melhoria dos acessos rodoviários aos portos catarinenses ganhou prioridade após o estado registrar recordes de movimentação em 2025. Operadores do setor apontam a saturação da BR-101 na região de Itajaí e Navegantes como um dos principais riscos à continuidade do crescimento logístico nos próximos anos, sobretudo diante da ampliação da movimentação portuária e da dependência do modal rodoviário para integração com o restante do país.