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Taxas de juros e prazos levantam dúvidas sobre a viabilidade do programa Move Brasil para renovação de frotas

Linha de crédito de até R$ 10 bilhões busca modernizar caminhões antigos, mas condições financeiras podem limitar adesão de transportadores
Por Redação em 4 de fevereiro de 2026 às 7h39
Taxas de juros e prazos levantam dúvidas sobre a viabilidade do programa Move Brasil para renovação de frotas
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O programa Move Brasil, lançado pelo governo federal para estimular a renovação da frota de caminhões no país, pode enfrentar obstáculos para alcançar seus objetivos diante das atuais condições de financiamento, avaliam representantes do setor de transporte rodoviário de cargas. A iniciativa prevê a destinação de até R$ 10 bilhões em linhas de crédito voltadas à substituição de veículos com mais de 20 anos de uso, com foco em eficiência logística e redução de emissões.

A estrutura do programa foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.328/2025, publicada em 16 de dezembro de 2025. O financiamento é direcionado a pessoas físicas e jurídicas que atuam no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), incluindo empresas, cooperativas e transportadores autônomos. Para este último grupo, responsável por uma parcela significativa da frota mais antiga em circulação, está reservado um montante exclusivo de R$ 1 bilhão. A aquisição de caminhões financiados, no entanto, está restrita a veículos de produção nacional.

A gestão dos recursos ficará a cargo do Ministério da Fazenda, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como agente financeiro. As operações poderão contar com a participação do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que poderá assegurar até 80% do valor financiado. As condições previstas incluem limite de até R$ 50 milhões por beneficiário, prazo máximo de cinco anos, carência de até seis meses e taxas de juros anuais entre 13% e 14%, variando conforme o risco de crédito, além de encargos financeiros e spread bancário.

Na avaliação de José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), o programa apresenta avanços do ponto de vista institucional ao criar uma linha dedicada à renovação de frota, mas sua efetividade dependerá da atratividade das condições financeiras. Segundo ele, juros elevados, prazos limitados e períodos curtos de carência podem comprometer a viabilidade dos investimentos, especialmente em um cenário de margens pressionadas no setor.

O contexto econômico recente também influencia a cautela dos transportadores. Ao longo de 2025, a combinação de instabilidade macroeconômica, demanda irregular e custos operacionais elevados reduziu a disposição das empresas em assumir novos compromissos financeiros. Com isso, a nova medida provisória ainda é vista como um instrumento a ser analisado com cautela, exigindo avaliações individualizadas de viabilidade econômica.

Para 2026, a tendência apontada por executivos do setor é de decisões mais conservadoras, baseadas em planejamento financeiro rigoroso. A renovação da frota passa a depender não apenas da existência de crédito, mas da capacidade das operações de gerar caixa suficiente para sustentar o endividamento, além de ganhos concretos de produtividade e eficiência.

A dimensão ambiental também integra o debate. A MP nº 1.328/2025 inclui critérios relacionados à sustentabilidade, com o objetivo de reduzir o consumo de diesel e as emissões no transporte rodoviário, incentivando a substituição de veículos antigos por modelos mais eficientes. Ainda assim, o setor avalia que a transição precisa estar alinhada à realidade financeira das empresas.

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