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Um recado vindo de 1981: o modelo híbrido como resposta ao desafio da IA no varejo

Por Éverton Torres Ramos el 16 de marzo de 2026 a las 8h38
Éverton Torres Ramos
Éverton Torres Ramos

“Todos nós trabalharemos para uma máquina Inteligente ou vamos ter pessoas inteligentes em torno da máquina?”, esta foi a pergunta que motivou Shoshana Zuboff a construir os argumentos para uns dos livros essenciais para o entendimento do mundo atual, A Era do Capitalismo de Vigilância. Em 1981, ano em que ela ouviu a pergunta, que serviu como gatilho para sua obra, ela não tinha ideia da importância para o nosso futuro sobre como responderemos a esta pergunta. Seu livro segue tratando da intencionalidade dos algoritimos no direcionamento de corações e mentes para causas nem sempre benéficas, vale muito a pena ler Shoshana Zuboff.

Em 2026 parece haver um consenso que a resposta a pergunta sobre como trabalharemos com uma máquina inteligente para ser o modelo hibrido de interação entre homem e máquina, onde a capacidade humana de perceber todo o ambiente se junta a capacidade computacional de prever efeitos para a tomada de decisão. Pelo menos até que a startup francesa AMI (Advanced Machine Intelligence), co-fundada por Yann LeCun, ex-cientista-chefe de IA da Meta consiga seu objetivo de dar ao seu Motor de Inteligência Artificial a percepção do mundo físico.¹

Entretanto continuamos em 1981 ao desconsiderar os efeitos de rede, focando apenas em interações individuais de departamentos ou empresas, como fez a operária em uma fábrica de celulose autora da pergunta que também motivou minha trajetória profissional — assim como motivou Zuboff. 

Milhões de decisões são tomadas diariamente com o suporte de IA, a produtividade individual cresce mas raramente é transferida como valor para toda a empresa. Um lojista é capaz de inserir dados da previsão do tempo e a inauguração de um novo bolão de estacionamento e prever que não têm estoque suficiente para atender a demanda. Ao mesmo tempo, em outro local, reuniões no fornecedor do lojista estão acontecendo para entender as vendas em queda e o custo logístico crescente, e novamente a IA está apontando caminhos possíveis de solução.

Existe aí uma enorme possibilidade de ganhos caso lojista e fornecedor atuassem como uma rede interligada, uma plataforma capaz de conectar a demanda do varejista à melhor escolha do fornecedor para entregar com o melhor custo e nível de serviço. A mesma solução de IA que previu a demanda aumentada informaria a plataforma de previsão do fornecedor sobre a necessidade, que buscaria na sua base de serviços de entrega a melhor opção, incluindo a disponibilidade de espaços temporários de armazenamento próximo ao lojista.

Retomando a pergunta que abriu este texto, defendo que pessoas inteligentes devem acompanhar as máquinas apontando caminhos do que é previsível — ainda que oculto. E como disse Marcus Bruzzo em seu livro Seremos Dados², caberá aos humanos descobrir o que ainda não sabemos que não sabemos.

 

* Éverton Torres Ramos é profissional de logística e varejo com 36 anos de experiência em operações, malha logística, gestão de risco e transformação tecnológica. MBA em Gestão Empresarial pela FGV e cursando Pós-Graduação em Tecnologias Emergentes pela FIA Business School, com formação complementar em Python, R e Lean Six Sigma. Especialista na aplicação de IA, modelos preditivos e automação em operações logísticas, atua na conexão entre dados e decisões estratégicas no varejo.

 

REFERÊNCIAS:

 ¹ Startup francesa de IA AMI arrecadaria US$ 1 bilhão para desenvolver ‘sistemas inteligentes universais’. France 24, 10 mar. 2026. Disponível em: https://www.france24.com/en/france/20260310-french-ai-startup-ami-raises-1b-to-develop-universal-intelligent-systems
  ² BRUZZO, Marcus. Seremos Dados. São Paulo: Autografia, 2021.

 

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