
A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) apresenta às coordenações das campanhas dos candidatos à Presidência da República uma Carta Aberta com quatro propostas que considera prioritárias para o avanço da logística brasileira e que deveriam ser endereçadas no próximo governo.
Em um ano eleitoral marcado pelo debate entre continuidade e mudança, a entidade reforça a necessidade de avanços que garantam maior previsibilidade e condições para o desenvolvimento do ecossistema. Entre as prioridades apontadas estão:
De acordo com a entidade, a agenda apresentada parte do reconhecimento de que a logística é um dos pilares fundamentais da economia brasileira e, sem ela, cadeias de abastecimento de todos os setores seriam postas a risco. Por isso, no entendimento da associação, o setor deve permanecer no radar das autoridades e ocupar posição estratégica em qualquer plano de governo.
"Ao reunir esses pleitos, a ABOL busca colocar a logística brasileira no centro do planejamento de longo prazo do país. O próximo ciclo representa uma oportunidade para consolidar uma estratégia voltada à expansão dos investimentos, à redução do Custo Brasil, à incorporação de inovação onde ela couber, ao fortalecimento da sustentabilidade e à elevação da atratividade do País", reforça a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha.
Operadores logísticos movimentam R$247 bi anualmente
A relevância da pauta apresentada está diretamente relacionada ao peso dos operadores logísticos, responsáveis pela prestação de serviços integrados de transporte (por qualquer modal), armazenagem e gestão de estoques, na logística. Os dados apresentados na carta demonstram que os operadores logísticos empregam 2,7 milhões de pessoas, entre diretas e indiretas.
As empresas do segmento movimentam mais de R$247 bilhões em faturamento anual e respondem por mais de R$ 57 bilhões em arrecadação aos cofres públicos. Os Operadores também representam mais de 20% dos gastos com transporte e armazenagem no país.
Agenda defende transporte multimodal
Na frente de infraestrutura, a ABOL defende que a multimodalidade seja tratada como eixo estruturante para ampliar o desempenho das cadeias de abastecimento. Entre as medidas expostas estão a criação de uma Governança Nacional da Multimodalidade, a modernização das conexões entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos e a evolução da integração legal e documental.
A Associação também chama atenção para a necessidade de elevar a capacidade de silos e armazenagem, especialmente diante dos sucessivos recordes de produção do agronegócio.
O material aponta ainda um espaço relevante para a melhoria da conexão entre os modais no próprio mercado: atualmente, apenas 31% dos Operadores Logísticos de fato conseguem oferecer serviços intermodais e multimodais. Para a ABOL, aumentar essa participação depende de investimentos em infraestrutura, mecanismos de financiamento e maior previsibilidade normativa.
O documento destaca que o Brasil investe cerca de 0,7% do PIB ao ano na rede de transportes, enquanto estimativas citadas pela Associação indicam a necessidade de aproximadamente 2% para conservar, modernizar e expandir a capacidade.
ABOL pede simplificação no sistema tributário
No ambiente regulatório e tributário, é recomendada a simplificação das obrigações, unir os sistemas dos órgãos públicos e avaliar os impactos das novas regras antes da criação de exigências adicionais. À luz também da Reforma Tributária em curso, a ABOL defende a preservação do dinamismo dos diferentes modais e de incentivos à automação, à robotização, à inteligência artificial e à digitalização. Entre as sugestões está a criação de mecanismos semelhantes a uma "Lei do Bem para a Logística".
Escassez de mão de obra especializada preocupa associação
Outro ponto de cuidado é a atração e retenção de talentos. Diante da escassez de motoristas, colaboradores de armazéns e profissionais especializados, a ABOL propõe a criação de uma Política Nacional para o Futuro do Trabalho na Logística.
A iniciativa prevê a articulação entre governo, empresas, academia, trabalhadores e instituições de ensino, além de ações de qualificação e requalificação, e estímulos à adoção de tecnologias como inteligência artificial, automação e robotização, para complementar ou suprir lacunas.
Transição energética precisa considerar realidade brasileira
Na agenda ambiental, é solicitada uma transição energética que considere as diferentes realidades operacionais, geográficas e econômicas das organizações. Entre as ideias estão o estímulo à produção e comercialização de combustíveis, a expansão de corredores logísticos verdes, a potencialização de linhas de financiamento para veículos e equipamentos de baixo carbono e a criação de uma estratégia nacional de adaptação da infraestrutura aos eventos climáticos extremos.