
O terminal de contêineres Tecon Santos recebeu dois novos portêineres e oito guindastes sobre pneus (RTGs) elétricos, ampliando a capacidade operacional e avançando no processo de modernização da infraestrutura portuária no Porto de Santos. Os equipamentos integram o projeto de expansão, atualização tecnológica e redução de emissões conduzido pela Santos Brasil, operadora do terminal.
Os guindastes foram fabricados pela empresa chinesa ZPMC e chegaram ao Brasil a bordo do navio Zhen Hua 28, que atracou na margem esquerda do Porto de Santos na manhã de sábado (10). A embarcação partiu da China em 15 de novembro, transportando os equipamentos totalmente montados no convés, o que reduz etapas de montagem local e acelera a entrada em operação.
No Tecon Santos, o desembarque dos guindastes ocorre por meio de trilhos que conectam diretamente o navio ao cais, permitindo o deslocamento das estruturas até os pontos de instalação. A operação comercial padrão dos novos equipamentos está prevista para começar no mês seguinte à chegada, enquanto a implantação da operação remota será realizada de forma gradual, após a conclusão de testes, ajustes de sistemas e capacitação das equipes. Esse processo pode se estender por até um ano.
Ao todo, o pacote envolve dez novos guindastes, com investimento estimado em aproximadamente R$ 300 milhões. Os dois portêineres incorporam o sistema Truck Position System (TPS), tecnologia que permite o posicionamento preciso das carretas durante as operações de embarque e desembarque de contêineres, com impacto direto na produtividade, na segurança operacional e na redução de falhas no fluxo de carga.
Os novos portêineres possuem 50 metros de altura, do nível do cais até a lança, e alcance de 70 metros, características compatíveis com navios de grande porte. Cada equipamento tem capacidade para movimentar simultaneamente até dois contêineres de 20 pés carregados, com peso total de até 100 toneladas, ampliando a eficiência no atendimento às escalas de embarcações.
No pátio, os oito RTGs elétricos passam a operar em conjunto com outras oito unidades já em funcionamento no terminal. Esses equipamentos utilizam tecnologia de operação remota, na qual os operadores atuam a partir de um centro de controle, sem necessidade de permanecer nas cabines elevadas. Esse modelo já vinha sendo adotado no terminal e foi implementado de forma pioneira pela operadora no país no final de 2024.
A Santos Brasil também prevê a aquisição de mais 30 RTGs elétricos nos próximos anos, com o objetivo de substituir gradualmente os modelos movidos a diesel. A estratégia está associada à busca por maior eficiência energética, padronização operacional e redução de emissões na movimentação de contêineres.
A substituição dos equipamentos convencionais por modelos elétricos gera impactos diretos na agenda ambiental do terminal. Cada RTG elétrico evita a emissão aproximada de 20 toneladas de dióxido de carbono por mês. Com a renovação completa da frota, a expectativa é de uma redução mensal de 713 toneladas de CO₂, o que representa uma queda de 97% nas emissões associadas a esse tipo de equipamento no terminal.
Além dos efeitos ambientais, a adoção da operação remota e de equipamentos elétricos altera as condições de trabalho, com impactos na segurança, ergonomia e organização das operações. A centralização do controle operacional também contribui para maior previsibilidade e padronização dos processos logísticos.
O projeto de ampliação e modernização do Tecon Santos teve início em 2019 e prevê investimentos totais de cerca de R$ 3 bilhões até 2031, em valores atualizados. Desse montante, aproximadamente R$ 2 bilhões já foram aplicados em obras, equipamentos, sistemas e infraestrutura. As iniciativas estão alinhadas ao Plano de Transição Climática da companhia, que estabelece a meta de neutralidade de emissões líquidas até 2040.