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MPor defende medidas para transporte aéreo em reunião sobre Reforma Tributária

Pasta reuniu cerca de 180 representantes da área para discutir os efeitos da nova estrutura tributária no setor
Por Redacción el 10 de septiembre de 2026 a las 10h18
MPor defende medidas para transporte aéreo em reunião sobre Reforma Tributária
Foto: Sérgio Francês / MPor
Foto: Sérgio Francês / MPor

O Ministério de Portos e Aeroportos reuniu, nesta terça-feira (8), representantes do setor aéreo para discutir os impactos da Reforma Tributária sobre a aviação civil brasileira. Realizado de forma presencial e virtual, o encontro contou com cerca de 180 participantes de diferentes segmentos, entre companhias aéreas, operadores de carga, empresas de táxi aéreo, indústria aeronáutica, acadêmicos do setor e representantes do segmento de turismo.  

A Reforma Tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214, está em fase de implementação e promove mudanças na estrutura de tributação do país. Durante o encontro, a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) apresentou as propostas do MPor para a regulamentação dos novos tributos, considerando as características e particularidades do transporte aéreo.  

O secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, destacou o potencial da reforma para modernizar o sistema tributário brasileiro e ressaltou a importância de considerar os impactos específicos sobre o transporte aéreo. "Por ser uma transformação tão relevante sobre as regras que disciplinam o funcionamento da economia brasileira, é natural que existam peculiaridades a serem tratadas. E nós estamos aqui, hoje, para discutir as especificidades que a aviação civil brasileira tem e que demandam um tratamento customizado nesse esforço de regulamentação", explicou.  

Para o Ministério, uma eventual elevação dos custos tributários pode afetar a oferta de voos e serviços, especialmente em mercados de menor demanda. A entidade destaca que o transporte aéreo tem papel estratégico para o desenvolvimento do país e contribui para o abastecimento de itens essenciais, como insumos médicos, alimentos e cargas de alto valor. 

 

Propostas para o transporte aéreo

 Durante o encontro, a diretora de Política Regulatória da SAC, Clarissa Barros, apresentou a avaliação técnica do MPor e as propostas encaminhadas ao Ministério da Fazenda para contribuir com a regulamentação da Reforma Tributária. As sugestões estão estruturadas em três frentes: aviação doméstica e regional, transporte internacional e de cargas e Imposto Seletivo.  

Para a aviação regional, o Ministério propõe que o conceito seja aplicado de forma sistêmica às companhias aéreas que operem mais de 50% de sua malha em voos regionais, em vez de considerar apenas rotas isoladas.  

A proposta permitiria a aplicação da diferenciação tributária de 40% prevista na Lei Complementar nº 214 para essas empresas. O modelo segue lógica semelhante aos esquemas de incentivo tributário à aviação regional adotados pelos estados através do ICMS que incide sobre o querosene de aviação (QAV).  

Para o transporte aéreo internacional, o Ministério propõe a adoção de um regime específico baseado no princípio da reciprocidade. A medida busca reduzir assimetrias concorrenciais e preservar a conectividade do Brasil com outros mercados.  

De acordo com o MPor, a proposta está alinhada às práticas internacionais e às recomendações da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), além de considerar o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a não incidência de ICMS nas operações do mercado internacional.  

Em relação ao Imposto Seletivo, a proposta do MPor considera critérios de sustentabilidade alinhados à certificação da Anac e às diretrizes do Corsia, mecanismo internacional voltado à compensação e à redução das emissões de carbono da aviação internacional.  

Entre as medidas propostas está a adoção de alíquota zero para estimular a renovação da frota brasileira e ampliar os investimentos em aeronaves mais eficientes no quesito ambiental. A proposta contempla aeronaves movidas integralmente a combustível sustentável de aviação (SAF), modelos elétricos ou híbridos e aeronaves de pequeno porte, em consonância com parâmetros internacionais de redução de emissões.  

 

Próximos passos  

A SAC informou que estão em fase final de elaboração os documentos para regulamentar a diferenciação tributária aplicável à aviação regional e o ato que estabelecerá o conceito de aviação regional. Após essa etapa, o Ministério da Fazenda e o Comitê Gestor do IBS deverão estabelecer ato conjunto para definir as repercussões tributárias da matéria.  

As propostas relacionadas ao transporte internacional e ao Imposto Seletivo já foram formuladas e encaminhadas ao Ministério da Fazenda para análise.  

O MPor continuará participando das discussões com o Comitê Gestor do IBS e o Ministério da Fazenda, contribuindo com informações e análises para que a regulamentação da Reforma Tributária considere as características do transporte aéreo. O objetivo é preservar a conectividade, fortalecer a integração regional e ampliar os benefícios econômicos e sociais gerados pela aviação civil brasileira.  

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