
O Grupo Nimofast, a Edge e a Green Cargo anunciaram o lançamento do projeto GreenTech Logística Integrada, iniciativa voltada à criação de uma plataforma de transporte rodoviário de longa distância movida a gás natural liquefeito (GNL). Segundo as empresas, o projeto prevê a operação de até 2 mil caminhões em um período de 24 meses, apoiada por compromissos de investimento de R$ 8 bilhões ao longo de dez anos.
A operação será conduzida pela Interconecta Negócios e Transporte, empresa do Grupo Nimofast. A Edge será responsável pelo fornecimento de GNL, enquanto a Green Cargo fornecerá caminhões pesados JAC Motors adaptados para utilização do combustível.
A implantação ocorrerá em etapas. Ainda em 2026, a previsão é colocar em operação 60 caminhões JAC Motors Q7 560 cv 6x4 movidos a GNL. A frota deverá chegar a 160 veículos no primeiro trimestre de 2027 e alcançar a marca de 2 mil unidades em operação nos dois anos seguintes.
O abastecimento será realizado por meio de uma solução integrada desenvolvida pela Edge, utilizando o Terminal de Regaseificação de GNL de Santos (TRSP) e logística de distribuição off-grid por transporte rodoviário. O contrato, com duração de dez anos, também prevê a incorporação de biometano certificado por atributo produzido pela Onebio, unidade localizada em Paulínia (SP).
A plataforma logística terá como base operacional a cidade de Paulínia e pretende conectar polos industriais, portuários e agroindustriais em corredores rodoviários de longa distância. O projeto deverá atender embarcadores dos setores de agronegócio, mineração, energia, indústria química e carga geral, utilizando sistemas digitais para monitoramento das emissões e gestão de créditos de carbono.
Segundo as empresas, a utilização de GNL combinada ao biometano pode reduzir em até 25% as emissões de dióxido de carbono (CO₂) e em até 90% as emissões de material particulado em comparação ao diesel. Na configuração prevista para a operação completa, a expectativa é evitar aproximadamente 80 mil toneladas de CO₂ por ano.
"Acreditamos que o GNL será um dos principais vetores de transformação do transporte pesado brasileiro nos próximos anos. Este projeto demonstra que já existe competitividade, escala e infraestrutura para viabilizar essa mudança", afirma Demétrio Magalhães, CEO da Edge.
Para Ramon Reis, presidente e CEO do Grupo Nimofast, a iniciativa busca combinar ganhos ambientais e econômicos. "A Interconecta não nasce como uma transportadora tradicional, mas como uma plataforma de infraestrutura sustentável multicliente capaz de evitar 80 mil toneladas de CO₂ por ano", diz.
Já Gabriel Bizzo, CEO da Green Cargo, afirma que a empresa pretende atuar além do fornecimento de veículos. "O gás natural e o biometano já se mostram alternativas economicamente viáveis e ambientalmente responsáveis para operações de grande escala. A Green Cargo quer liderar essa transformação, entregando não apenas veículos, mas todo o ecossistema necessário para acelerar a transição energética da logística brasileira", afirma.
O projeto representa uma das maiores iniciativas privadas anunciadas recentemente para ampliar o uso de combustíveis alternativos no transporte rodoviário de cargas, segmento que busca reduzir emissões sem comprometer a eficiência operacional em rotas de longa distância.