
A NTC&Logística divulgou uma análise que aponta uma defasagem média de 10,1% nos valores de frete praticados pelas empresas do Transporte Rodoviário de Cargas. Com base na análise de custos realizada pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas), a entidade afirma que o setor encerrou o ano de 2025 sob forte pressão regulatória e operacional.
A NTC argumenta que, embora o volume de cargas tenha apresentado melhora para cerca de 40% das empresas, a rentabilidade foi impactada por três fatores críticos:
1. Impacto dos Novos Custos com Seguros (Lei 14.599/23)
De acordo com o NTC, a obrigatoriedade dos seguros RCTR-C, RC-DC e RC-V transferiu custos e gestão de risco integralmente ao transportador. Para a cobertura desses custos, a prática de mercado pelas empresas é a adoção da cobrança da Taxa de Seguro Obrigatório (TSO).
2. Fim da Leniência no Piso Mínimo (Lei 13.703/18)
A implementação da fiscalização eletrônica (MDF-e/CIOT) pela ANTT encerrou o período de utilização de valores abaixo da tabela divulgada pela Agência, praticados por força da concorrência comercial. O cumprimento do piso é agora um requisito de conformidade inegociável na contratação de terceiros (TAC).
3. Perda de Produtividade e Custo Social
Segundo a entidade, decisões judiciais (ADI 5322) sobre tempos de espera e descanso reduziram a disponibilidade da frota, elevando o custo fixo por viagem. Somada a isso, a escassez de motoristas qualificados pressiona os investimentos em retenção e benefícios.
Dificuldade no repasse de custos
Para o NTC, a dificuldade histórica em repassar a inflação acumulada do setor compromete a saúde financeira das transportadoras. O impacto nos custos demonstrado no médio prazo, no qual itens essenciais como veículos e mão de obra apresentam altas consideráveis:
Caminhão: alta acumulada de 23,3% em 36 meses
Mão de Obra: alta acumulada de 20,2% em 36 meses
Combustível: queda de 5,3% em 36 meses
No acumulado de 12 meses, enquanto o INCTL (Carga Lotação) atingiu 2,81%, o INCTF (Carga Fracionada) subiu 5,34%, superando o IPCA de 2025, que fechou em 4,44%.
Perspectivas e Desafios para 2026
De acordo com o NTC, o ano de 2026 inicia já com uma pressão inflacionária e novos desafios operacionais, como o início da segunda fase da reoneração da folha de pagamento, elevando a carga tributária sobre o setor; a Selic, que permanece elevada em 15,0% e cujo custo de concessão de prazos aos clientes não integra as planilhas referenciais de custo da NTC; e a aplicação rigorosa do Frete-Valor, GRIS e TSO, para cobrir riscos e especificidades operacionais.
A NTC argumenta que a sobrevivência das empresas de transporte e a manutenção da qualidade dos serviços dependem da recomposição imediata dos preços, eliminando a defasagem existente.