
Um estudo desenvolvido por alunos do curso de Engenharia Mecânica do Centro Universitário FEI propõe uma solução para reduzir o consumo de combustível no transporte rodoviário de cargas. Batizado de AeroLoad, o projeto consiste na instalação de uma carenagem aerodinâmica na traseira do baú do caminhão, capaz de reduzir em 12,6% o arrasto aerodinâmico e proporcionar uma economia estimada de 6,1% no consumo de diesel por quilômetro rodado, em deslocamentos a velocidade constante de 90 km/h.
Desenvolvido pelos estudantes Enzo Alves Zanatta, João Vitor Teixeira Ribas e Manoel Leone Cardoso, sob orientação do professor Rodrigo Bernardello Unzueta, o dispositivo possui formato afunilado na parte traseira do implemento, com o objetivo de reduzir a zona de baixa pressão formada atrás do veículo durante o deslocamento, um dos principais fatores responsáveis pela resistência do ar.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a solução foi validada por meio de simulações computacionais de dinâmica dos fluidos e posteriormente testada em túnel de vento com um modelo em escala. Os ensaios apresentaram resultados semelhantes aos obtidos nas simulações, confirmando a redução do arrasto aerodinâmico.
Para a fabricação da estrutura, o projeto prevê o uso de chapas de policarbonato. De acordo com os pesquisadores, além do baixo custo, o material apresenta resistência e facilidade de fabricação. O cálculo da economia de combustível já considera o acréscimo aproximado de 100 quilos ao peso do caminhão provocado pela instalação da carenagem.
Apesar dos resultados, a adoção da tecnologia ainda encontra uma limitação na legislação brasileira. Como a carenagem aumenta o comprimento do conjunto, sua aplicação atualmente fica restrita a veículos que operam abaixo do limite máximo permitido pelas normas de trânsito.
Segundo o professor Rodrigo Bernardello Unzueta, orientador do projeto, os resultados podem contribuir para futuras discussões sobre alterações na regulamentação. "Essa permissão reduziria o custo nos transportes, o consumo de diesel e as emissões de gases de efeito estufa", afirma.
De acordo com a FEI, o custo estimado de implantação da estrutura é baixo em comparação aos custos operacionais de um caminhão. A instituição informa ainda que a tecnologia já despertou o interesse inicial de empresas dos setores de transporte e logística.