
A corrida dos grandes varejistas por centros de distribuição próximos a centros urbanos está movimento o mercado de galpões logísticos. De acordo com dados do Market Analytics da SiiLA, as seis varejistas Mercado Livre, Shopee, Amazon, Magalu, Shein e Via, somam um gasto de cerca de R$ 173,2 milhões mensais com aluguéis em condomínios logísticos no Brasil, chegando a R$ 2,08 bilhões por ano.
O Mercado Livre e a Shopee lideram a absorção, com 2,98 milhões e 1,14 milhão de metros quadrados, respectivamente, e gastos mensais de R$ 93,35 milhões e R$ 32,49 milhões. As duas varejistas já possuem um total combinado de 1,1 milhão de metros quadrados pré-locados para o segundo semestre de 2026.
Corrida do e-commerce
A competição entre as empresas de e-commerce contribui para uma taxa de absorção recorde: de acordo com dados da JLL, a vacância dos galpões logísticos de alto padrão caiu para 5,5% no primeiro semestre de 2026. O volume já representa, respectivamente, 60% e 68% de todo o resultado de 2025, até então o melhor ano para o segmento.
De acordo com Douglas Curi, CEO da Sort Investimentos, cerca de 75% da absorção de galpões logísticos em 2026 respondeu ao avanço do e-commerce, o que mostra o peso que essas grandes empresas passaram a ter sobre o mercado. "Existe hoje uma disputa direta por tempo de entrega, e isso faz com que Mercado Livre, Shopee e outros grandes players busquem posições cada vez mais estratégicas, próximas dos centros consumidores e dos principais corredores logísticos. Essa corrida aumenta a competição por ativos de qualidade e pressiona a oferta nas regiões mais disputadas", afirma o executivo.
A Sort Investimentos possui mais de R$ 3 bilhões em galpões logísticos sob gestão. De acordo com o CEO, em recortes mais específicos, como o litoral norte de Santa Catarina, além de áreas do estado de São Paulo, que concentram grandes polos portuários, a vacância é ainda menor, em torno de 3%.
Entre as maiores movimentações, está o novo centro de distribuição do Mercado Livre em Jacareí (SP), com investimento estimado em R$500 milhões. Já a Shopee concentra cerca de R$1,7 bilhão em três operações, incluindo um projeto built-to-suit de R$400 milhões em Ribeirão das Neves (MG). As demais operações da varejista, em Londrina (PR) e Guarulhos (SP), somam aproximadamente R$1,3 bilhão.
Nova operação do TikTok no Brasil pode pressionar disputa
A TikTok anunciou recentemente a criação da TikTok Logistics Brazil, empresa que passa a atuar nas entregas do TikTok Shop no país. Constituída com capital social de R$ 111 milhões, a operação amplia a presença da plataforma na cadeia logística brasileira pouco mais de um ano após a estreia do marketplace no mercado nacional.
A nova estrutura permite à companhia ter maior controle sobre etapas das entregas e reduzir a dependência de operadores terceirizados. De acordo com Douglas, a entrada da empresa em uma operação logística própria no país mostra que a disputa do varejo digital passou a envolver toda a cadeia de distribuição.
"Quanto maior o controle sobre as entregas, maior também a necessidade de infraestrutura capaz de sustentar escala, velocidade e capilaridade. Para o mercado de galpões, isso significa uma demanda cada vez mais qualificada por ativos próximos aos centros consumidores e preparados para operações intensivas, o que tende a manter a pressão sobre a oferta e estimular novos investimentos", conclui Curi.