
O Mercado Livre ampliou em 52% sua área ocupada em galpões logísticos em 2026 no Brasil, chegando a 3,8 milhões de m², de acordo com dados da consultoria JLL. A empresa é atualmente a maior ocupante individual de condomínios logísticos no país, e ainda conta com cerca de 800 mil m² pré-locados para operações futuras.
O crescimento foi acelerado nos últimos anos. Entre 2018 e 2025, a empresa passou de 100 mil a 2,5 milhões de m² em galpões ocupados no Brasil. A ampliação recente faz parte de um plano de investimentos de R$ 57 bilhões no país em 2026, anunciado pelo Mercado Livre em março. Na logística, a empresa deve inaugurar 14 centros de distribuição no modelo fulfillment até o fim do ano, indo de 28 para 42 unidades no país.
Um dos projetos anunciados é um complexo de aproximadamente 464 mil m² em Campinas (SP), próximo ao Aeroporto Internacional de Viracopos.
Corrida por armazenagem
A expansão do Mercado Livre acompanha um cenário de alta procura por centros de armazenagem e distribuição próximos a grandes centros urbanos, com queda acentuada no índice de vacância, que chegou a 4,8% no terceiro trimestre. A expansão da demanda reduziu a disponibilidade de imóveis, e o Brasil chegou ao fim de setembro com estoque de aproximadamente 40,2 milhões de m² em condomínios logísticos, dos quais 38,3 milhões estavam ocupados.
A absorção líquida, que mede a variação efetiva da área ocupada, foi de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados no trimestre e alcançou 3,1 milhões no acumulado do ano. A combinação de procura elevada e oferta limitada também se reflete nos valores. O preço médio anunciado de locação chegou a R$ 35,20 por m², segundo a JLL.
A Shopee alcançou 1,7 milhão de metros quadrados ocupados e mantém aproximadamente 500 mil metros quadrados pré-locados, de acordo com a consultoria. O Mercado Livre e a Shopee, juntos, utilizam cerca de 5,5 milhões de m² em galpões, além das áreas reservadas para futuras operações.
O e-commerce é o setor que mais mobiliza novas locações. Fora de São Paulo, varejo e e-commerce responderam por metade da absorção de áreas no terceiro trimestre, seguidos por transporte e logística, com 24%, e alimentos e bebidas, com 7%. Já no mercado paulista, a participação conjunta de varejo e comércio eletrônico chegou a 58%.