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CMA CGM investirá em unidade de biometano na França para abastecer frota marítima em parceria com a ENGIE

Instalação em Le Havre deverá fornecer 7 mil toneladas anuais do combustível a partir de 2029, com potencial para evitar 23 mil toneladas de CO₂ por ano
Por Redação em 15 de outubro de 2026 às 8h10
CMA CGM investirá em unidade de biometano na França para abastecer frota marítima em parceria com a ENGIE
Rodolphe Saadé et Catherine MacGregor - Crédito: Divulgação
Rodolphe Saadé et Catherine MacGregor - Crédito: Divulgação

O grupo de transporte marítimo e logística CMA CGM e a empresa de energia ENGIE firmaram um acordo para desenvolver uma unidade de produção de biometano na zona industrial e portuária de Le Havre, na França. A instalação deverá fornecer 7 mil toneladas do combustível renovável por ano à frota da CMA CGM a partir de 2029, volume equivalente a 100 GWh e com potencial estimado de evitar a emissão de 23 mil toneladas de CO₂ anualmente.

A ENGIE será responsável pelo desenvolvimento do projeto, incluindo o planejamento técnico e o processo de licenciamento. A construção e a operação da unidade dependerão da decisão final de investimento. A CMA CGM participará como acionista minoritária, por meio do PULSE, fundo do grupo voltado a tecnologias e infraestruturas para descarbonizar suas atividades de transporte e logística.

Prevista para entrar em operação entre 2029 e 2030, a instalação transformará resíduos pecuários, resíduos orgânicos domiciliares e resíduos agrícolas em biometano. O combustível será destinado à frota da CMA CGM por meio da rede europeia de gás, com rastreabilidade baseada em um sistema certificado de balanço de massa.

Além do combustível, o processo deverá gerar 100 mil toneladas de digestato, material orgânico rico em nutrientes que poderá ser utilizado como fertilizante natural por agricultores da região. O projeto também prevê recuperar 13 mil toneladas de CO₂ de origem biogênica para comercialização.

Segundo as empresas, o biometano pode reduzir em pelo menos 67% as emissões de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida, em comparação com combustíveis marítimos convencionais. Outra vantagem é a possibilidade de utilização nos navios da CMA CGM movidos a gás natural liquefeito (GNL), sem necessidade de modificações nos motores ou na infraestrutura de abastecimento existente.

“À medida que investimos juntos na produção de biometano na França, no maior porto de contêineres do país, avançamos em nossa visão de longo prazo de garantir acesso a combustíveis renováveis, contribuindo para a soberania energética da França e da Europa”, afirma Rodolphe Saadé, presidente e CEO do grupo CMA CGM.

Catherine MacGregor, CEO da ENGIE, destaca a importância da cooperação entre os setores industrial e energético para ampliar a oferta de combustíveis renováveis. “Com a construção desta nova unidade, damos continuidade à nossa ambição de ampliar a capacidade de produção de biometano em apoio à transição energética. Esta parceria com a CMA CGM demonstra como empresas industriais e de energia podem trabalhar juntas para desenvolver soluções concretas para descarbonizar setores de difícil eletrificação, fortalecendo ao mesmo tempo a soberania energética e o desenvolvimento de gases renováveis”, afirma.

A iniciativa integra a estratégia da CMA CGM de alcançar emissões líquidas zero de carbono em todas as suas atividades até 2050. Até 2030, a empresa prevê incorporar à frota mais de 200 navios com motores bicombustíveis capazes de operar com biometano, biometanol e combustíveis sintéticos de origem renovável.

Para a ENGIE, o projeto também contribui para a meta de alcançar capacidade de produção anual de 10 TWh de biometano na Europa até 2035, ante os atuais 1,2 TWh. A parceria dá continuidade à colaboração entre os dois grupos, iniciada em 2021, e poderá abrir caminho para novos projetos na França e em outros países europeus.

 

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