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Código de barras completa 50 anos e passa por mudanças

Conheça a história da ferramenta que revolucionou a logística
Por Gabriela Medrado em 19 de maio de 2023 às 8h02
Código de barras completa 50 anos e passa por mudanças

O código de barras faz parte do nosso dia a dia. Seu código estampa embalagens, etiquetas e boletos em todo o mundo. Mas o que atualmente é uma comodidade quase indispensável, há 50 anos foi uma tecnologia inovadora que levou décadas para ser desenvolvida, e mudou para sempre a cadeia logística como a conhecíamos.

A história dessa inovação precisou de muitas mentes, pegou carona em outras tecnologias  desenvolvidas no século XX e, como toda invenção que muda os rumos da humanidade, tem controvérsias sobre quem realmente a criou.

Uma era de inovação
A invenção do primeiro código de barras surgiu na era pós-Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos aproveitavam um período de prosperidade econômica e aumento do consumo, com longas filas nos caixas de supermercados.

Norman Joseph Woodland, pós-graduando na Drexel University, na Filadélfia, buscava uma solução para os longos processos de checkout em supermercados, e encontrou inspiração no código Morse.

A ideia era que, assim como o código Morse usa pontos e traços para codificar uma mensagem, linhas mais finas ou grossas poderiam ser usadas para codificar informações. Em 1952, Woodland e seu colega e sócio Bernard Silver registraram a patente do primeiro sistema de código de barras, também chamado de Código Universal do Produto (UPC, do inglês).

Código de barras completa 50 anos e passa por mudanças
Foto: Divulgação/IBM

A corrida continua
Mas o primeiro protótipo era bem diferente do código de barras que conhecemos. Ao invés do retângulo, o código era disposto em forma de alvo, em círculos concêntricos. A versão na casa de Woodland usava uma lâmpada incandescente de 500 watts e um osciloscópio para ler o código.

O projeto ainda era muito grande e caro para despertar o interesse das empresas. O minicomputador e a tecnologia de escaneamento óptico a laser que permitiriam o uso do código de barras em larga escala só foram desenvolvidos anos mais tarde. Nesse tempo, segundo a Smithsonian Magazine, empresas como Kroger, RCA e IBM tentaram desenvolver seus próprios protótipos.

Em 3 de abril de 1973, foi criado o código de barras que marca o aniversário da tecnologia, e se tornou o padrão da indústria: a versão da IBM, criada pelo engenheiro George Laurer.

O título de verdadeiro "criador do código de barras" permanece uma polêmica até hoje, anos após a morte de Norman Joseph Woodland e George Laurer. Enquanto Woodland patenteou o primeiro protótipo, Laurer desenvolveu a versão que chegou às lojas e se tornou padrão. Laurer nunca recebeu royalties pela criação.

Em 1974, o código de barras finalmente chegou às prateleiras. O supermercado Marsh, em Troy, Ohio, nos Estados Unidos, foi o primeiro a testar a nova tecnologia. O primeiro produto com código de barras a passar por um caixa foi uma caixinha de chiclete Wrigley's Juicy Fruit.

Código de barras completa 50 anos e passa por mudanças
Foto: Divulgação/Yale University Press

A operadora de caixa Sharon Buchanan foi a responsável pela primeira compra com o novo sistema. O processo era como conhecemos hoje: o cliente levou o produto ao caixa, onde Sharon usou o leitor de código de barras para ler o preço do produto e efetuar a venda.

O código padrão traz 95 partes de mesmo tamanho, que podem receber a cor preta ou branca. Cada uma dessas partes assume um número e, juntas, formam um código único, que é identificado pelo leitor de código de barras.

O leitor do código de barras faz uma comparação com o banco de dados do sistema e reproduz automaticamente as informações referentes à etiqueta, como o nome do produto e o valor cadastrado.

Código de barras completa 50 anos e passa por mudanças
Foto: Divulgação/Yale University Press

Em 1983, o sistema de código de barras chegou ao Brasil. A tecnologia se espalhou pelo mundo sob o padrão GS1, uma associação sem fins lucrativos que mantém padrões globais para comunicação empresarial.

Um novo tempo
O código de barras como conhecemos também está mudando. Em 2020, a GS1 iniciou a transição dos códigos de barras tradicionais para os bidimensionais, também chamados de QR Codes. Mais de 20 países, incluindo China, EUA, Austrália e Brasil, estão participando dos testes piloto.

Código de barras completa 50 anos e passa por mudanças
Foto: Divulgação/Yale University Press

A transição para o código de barras 2D promete "favorecer a cadeia de suprimentos com mais agilidade, eficiência, economia e rastreabilidade”, segundo o presidente da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, João Carlos de Oliveira.

Isso acontece porque, enquanto o código tradicional é linear e horizontal, com linhas e traços paralelos, o código 2D trabalha com duas dimensões: vertical e horizontal, como um tabuleiro de xadrez. Isso permite armazenar mais dados em códigos menores e trazer melhor acessibilidade de leitura, de acordo com a GS1 Brasil.

Mas o QR Code não é a única inovação em logística dos últimos anos. Outras tecnologias têm chamado a atenção das empresas na busca por soluções de identificação e gestão de produtos e serviços.

Um exemplo é a tecnologia RFID, também padronizada pela GS1. A Identificação por Radiofrequência (RFID) gera etiquetas que possuem um sensor com identificadores exclusivos. Esses sensores estão conectados a uma antena que transmite dados a um leitor de ondas de rádio.

A maior vantagem do RFID é que o leitor pode processar até 100 etiquetas simultaneamente, diferente do código de barras, que usa um leitor de feixes de luz que lê uma etiqueta por vez.

A solução ainda é cara para passar produtos individuais em caixas de lojas e supermercados, mas está se provando eficaz na cadeia de suprimentos de empresas como a Natura e a Renner, e é mais aplicada em processos de distribuição. 

Outra aposta de grandes empresas é a inteligência artificial. A Amazon anunciou em 2022 que pretende substituir os códigos de barras por um sistema proprietário baseado em IA.

A solução da gigante de tecnologia está sendo testada em seus centros de distribuição de Hamburgo, Alemanha, e Barcelona, Espanha. O processo usa a identificação multimodal (MMID, do inglês) para extrair informações sobre objetos e automatizar a identificação de produtos com câmeras.

Com estas e outras tecnologias, o legado do código de barras não só segue em frente como dá espaço a novas invenções. O setor de logística tende a ganhar com as novas opções, que simplificam e agilizam processos em todas as partes da cadeia, e possibilitam a atuação em maior escala.

*Edição de Raphael Minho

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