
* Texto disponível em inglês ao final / Original english article available below
As autoridades portuárias tem em suas mãos o desafio de pensar soluções inovadoras para operações portuárias, considerando eficiência, segurança e custo-benefício, de forma concomitante. Fazer tudo isso em um ambiente em constante mudança não é fácil, mas há exemplos relevantes de como aumentar a resiliência da infraestrutura portuária, tornando-a à prova de futuro.
Duisport (Duisburger Hafen AG) é o maior porto interior do mundo e um bom exemplo de como criatividade e inovação podem contribuir para a pauta da resiliência portuária. Junto com seu tamanho imenso, carrega grandes ambições: moldar o futuro da logística de forma inteligente, sustentável e altamente conectada, com infraestrutura de última geração e soluções inteligentes adaptadas para conectar regiões econômicas, pessoas e mercados.
O próprio porto passou por uma transformação notável: mudou seu enfoque, dos enormes terminais de importação de carvão, para uma ousada remodelação, posicionando-se como um polo logístico global. A história do Porto de Duisburg está entrelaçada com a transformação mais ampla da região do Ruhr. A duisport desempenha um papel no apoio à crescente demanda da indústria por hidrogênio e seus derivados, além de atuar como um elo entre governos, indústria e potenciais participantes do mercado de hidrogênio.
O primeiro terminal de contêineres neutro em termos climáticos da Europa, baseado em tecnologia de hidrogênio, está sendo construído no Porto de Duisburg:

(Fonte: Portos Mundiais Sustentáveis)
Nesta entrevista, vamos explorar essa transformação a partir do generoso relato de Johannes Eng, Gerente Sênior de Projetos de Desenvolvimento Corporativo e Estratégia na duisport (Duisburger Hafen AG), que generosamente compartilha sua expertise em novas energias, hidrogênio e seus derivados, cadeias de suprimentos de energia verde e transformação portuária.

Johannes Eng é Gerente Sênior de Projetos de Desenvolvimento Corporativo e Estratégia na duisport Duisburger Hafen AG, trabalhando com Novas Energias, Hidrogênio e Derivados, Cadeias de Suprimentos de Energia Verde e Transformação Portuária. Estudou tanto na EUFH European University of Applied Sciences Brühl, na Alemanha, quanto na Saint Mary's University, em Halifax, Canadá
Pilares da transição energética do duisport
Mariana – Tecnologística:
Além da agenda de transição para energia verde, a segurança energética tornou-se uma preocupação geopolítica crítica para a Europa, especialmente após 2022. Como a duisport está pensando sobre a resiliência da cadeia de suprimentos, especialmente em relação à energia?
Johannes Eng– duisport:
A equipe de Desenvolvimento Corporativo e Estratégia da duisport analisa tanto as demandas internas quanto externas futuras pela sustentabilidade portuária, e a transição energética é um dos temas com desenvolvimentos transformadores ou até disruptivos na cadeia de suprimentos.
Uma faísca inicial para o processo de desenvolvimento em relação à transição energética surgiu há mais de seis anos, quando começamos a refletir sobre como as operações portuárias iriam se desenvolver no futuro. Essas reflexões levaram a vários projetos, incluindo a iniciativa do hub de hidrogênio.
O desenvolvimento desse esforço de transição energética baseia-se em três pilares.
O primeiro pilar é a transformação do porto; ele foca em transformar a infraestrutura portuária para torná-la pronta para o futuro, para que a infraestrutura que temos hoje no porto se encaixe no propósito do futuro. Um bom exemplo é como previmos uma diminuição no uso e no transporte de carvão e a transformação resultante das cadeias de suprimentos. Essas mudanças exigem adaptação da infraestrutura para permitir o fluxo de novos produtos e serviços, incluindo combustíveis limpos, como a amônia verde.
Carvão e amônia, como era de se esperar, são dois produtos completamente diferentes, com requisitos de infraestrutura muito distintos. Começando com preocupações gerais de segurança e toxicidade relacionadas à amônia, a infraestrutura portuária deve estar alinhada com suas características de produção e fornecimento, com uma abordagem robusta de prontidão tecnológica.
Enquanto o carvão está sendo retirado de cena, a demanda por amônia está aumentando e você não pode usar o mesmo terminal para processar essas demandas. Então, o que isso significa para nós como porto?
A resposta está no segundo pilar, que aborda como o porto pode responder a essas mudanças a partir da dimensão da cadeia de suprimentos. Novas regiões de produção, parcerias e rotas comerciais exigem um porto que tenha a capacidade e as ferramentas de um "casamenteiro", capaz de responder a diversas necessidades, desde questões geopolíticas até dependências energéticas.
Isso leva ao terceiro e último pilar, que considera todo o ecossistema em que a autoridade portuária atua. As demandas de transição energética vêm de diferentes partes interessadas que atuam na área portuária.
Todas as partes trabalham juntas para entender o que já está disponível no porto e mapear o que ainda não está, mas pode ser necessário no futuro. Por isso, é fundamental estar ativamente envolvido nesse ecossistema, rede ou ambiente de discussão, seja lá como se possa chamar, para chegarmos juntos às soluções certas.
Não é viável que a autoridade portuária realize essas transformações sozinha. A autoridade portuária nem sequer é responsável pela maior parcela das emissões de gases do efeito estufa, mas pode apoiar as necessidades de infraestrutura de setores hard to abate (como navegação e transporte) para que possam alcançar suas metas de descarbonização.
Se um operador de navios decidir abastecer hidrogênio em vez de diesel, a autoridade portuária desempenha um papel facilitador ao garantir que haja uma oferta operacional para essa demanda. A autoridade portuária não é diretamente responsável pelo abastecimento nem por operar uma estação de abastecimento; ainda assim, garante que o fornecedor e consumidor de hidrogênio encontrem o ambiente certo para operar, incluindo, por exemplo, o berço apropriado para tal abastecimento.
Para o setor de transporte terrestre, o porto pode fornecer estações de reabastecimento e eletricidade dentro do porto, entre outros.
Nossa estratégia vem da soma desses 3 pilares, que também revelam o núcleo do nosso papel de matchmaking: nossa equipe na DUISPORT desenvolve e curadora uma caixa de ferramentas para oferecer aos stakeholders do porto; em troca, oferecemos essas ferramentas às partes interessadas para que possam usá-las e perguntamos se algo está faltando.
Projetos logísticos sustentáveis da Duisport e EnerPort
Mariana – Tecnologística:
A Duisport está se posicionando como um ator muito importante no desenvolvimento da logística sustentável, incluindo sua contribuição para o ecossistema de hidrogênio na Renânia do Norte-Vestfália e além. Um dos projetos que está se tornando um valioso referente para o fornecimento sustentável de energia em portos e centros logísticos ao redor do mundo é o EnerPort II. Você poderia nos dar uma visão geral da trajetória do projeto? Quais foram os pontos mais desafiadores ou as lições mais importantes aprendidas?
Johannes Eng – duisport:
Primeiramente, o EnerPort II é um projeto em andamento composto por diferentes etapas. O Duisport possibilita infraestrutura sustentável e logística por meio de pelo menos três projetos ou aspectos.
O projeto número um está relacionado à transformação estrutural (em alemão, Strukturwandel) de uma indústria tradicional para indústrias do futuro. O declínio das importações de carvão, que já mencionei, muda o cenário e a infraestrutura portuária, e diante disso, o porto se prepara para essas transformações.
O segundo projeto foca fortemente no aumento da mudança modal. Por décadas, transportamos cargas fora da estrada para a rede ferroviária e de vias navegáveis com grande eficiência, devido à posição única do porto na interseção do Rio Reno e às suas conexões com grandes centros como Mannheim e Basel, além de ser o ponto de entrada da rede de canais alemã.
Essa mudança sozinha já contribui significativamente para a redução das emissões do transporte rodoviário. Além disso, a duisport decidiu projetar seu novo terminal de contêineres que aumenta as capacidades de manuseio multimodal e, já que isso já estava em cena, por que não tentar implementar tecnologias verdes capazes de tornar esse terminal de contêineres neutro em relação ao clima? Decidimos investigar se isso era possível.
Os primeiros estudos começaram combinando tecnologias disponíveis, como sistemas fotovoltaicos, baterias e hidrogênio, aproveitando o fato de que quase tudo no terminal é elétrico ou pode ser eletrificado, incluindo pontes de contêineres, caminhões e prédios administrativos.
Para estudar a viabilidade desse projeto, nos unimos a provedores de tecnologia e instituições de pesquisa em um projeto chamado EnerPort I. Essa primeira fase teórica foi essencialmente conceitual e analítica, e concluiu que o terminal de energia era viável.
Com um conceito e uma estratégia definidos, várias opções estão sendo exploradas. Além do abastecimento de combustíveis alternativos e do apoio à geração distribuída para atividades portuárias, o fornecimento de energia para áreas industriais e residenciais vizinhas está sendo considerado. Se isso for implementado, poderá expandir o papel do porto além da logística, atendendo também as demandas da cidade.
A dimensão de distribuição é o terceiro aspecto das iniciativas logísticas sustentáveis do DUISPORT.
O principal desafio não é a distribuição na última milha (especialmente contêineres-tanque), já que utiliza tecnologias comprovadas, mas como desenvolver a distribuição de forma a aproveitar totalmente a integração do terminal com conexões de água, estrada e ferrovia.
Um desafio está relacionado às restrições ao armazenamento de mercadorias perigosas. Se o objetivo é armazenar amônia (e não apenas movimentá-la dentro de 24 horas), é necessário um terminal dedicado para contêineres para uma operação tão complexa. É exatamente nisso que estamos trabalhando agora.
Construir instalações de armazenamento para contêineres que possam lidar com mercadorias perigosas como hidrogênio e amônia é essencial, pois no nível operacional, não é possível nem conveniente mover todas essas unidades em um único dia.
Essas instalações de armazenamento oferecem soluções logísticas para clientes que não possuem movimentação diária de contêineres e precisam de espaço para consolidar cargas, ou para aqueles cuja produção não é grande o suficiente para ser abastecida por ferrovia, ou não têm acesso a vias navegáveis e, portanto, dependem mais do transporte rodoviário.
Para a produção de hidrogênio, em particular, as capacidades de armazenamento são importantes para conectar regiões de produção que não estejam ligadas à espinha dorsal de hidrogênio alemã. Esse terminal de armazenamento possibilita transportar unidades de buffer e depois movê-las quando necessário.
Em resumo, existem pelo menos três projetos ou empreendimentos logísticos sustentáveis que estão profundamente interligados e conectados entre si.
Relação cidade-porto e engajamento público
Mariana – Tecnologística:
Como disse Anna Grevé (chefe do Departamento de Armazenamento de Energia Eletroquímica do Fraunhofer UMSICHT), "portos interiores são distritos urbanos especiais com suas próprias necessidades energéticas".
Projetos como o EnerPort II são especialmente desafiadores, pois precisam atender a requisitos de viabilidade econômica, clima e proteção ambiental, além de uma longa lista de restrições regulatórias. Como o projeto EnerPort II levou em conta essa complexa relação cidade–porto?
Johannes Eng – Duisport:
Ser um porto urbano significa estar localizado dentro de uma infraestrutura urbana densa e muito próximo a áreas residenciais. Nesse contexto, o porto está comprometido em envolver o público em geral e as comunidades vizinhas nos processos de discussão mencionados anteriormente. A participação significativa dos interessados afetados é muito importante e, nesse sentido, a cidade de Duisburg também desempenha um papel central.
A cidade de Duisburg, juntamente com um instituto da Universidade de Wuppertal (Institut für Demokratie und Partizipationsforschung), conduziu um processo estruturado de consulta no qual 45 cidadãos selecionados aleatoriamente discutiram o potencial e os desafios das novas tecnologias de hidrogênio para a cidade de Duisburg.
Os participantes receberam contribuições de especialistas que representam uma ampla gama de perspectivas, fizeram uma excursão ao Porto de Duisburg, entrevistaram representantes da política, dos negócios, da administração pública e da sociedade civil, e discutiram suas expectativas e preocupações em relação ao hidrogênio.
Durante os workshops organizados nesse período, adquirimos insights profundos e uma melhor compreensão das preocupações públicas. Nossa comunicação é baseada nos princípios de clareza e transparência. Podemos falar abertamente sobre mercadorias perigosas como amônia, porque tomamos todas as medidas necessárias para garantir que a infraestrutura portuária esteja pronta para lidar com elas, e nossa equipe esteja totalmente familiarizada com essas substâncias.
As pessoas podem criticar a burocracia e a regulamentação alemãs, mas o aspecto positivo da existência das regras é que sabemos o que devemos fazer e como cumprir os deveres regulatórios. Essas regulamentações fornecem mecanismos rigorosos para garantir que as operações estejam em conformidade com a lei e, como resultado, oferecem certeza sobre o que podemos ou não fazer. E, mais importante: presamos por seguir as rotinas e protocolos de segurança mais recentes e rigorosos.
Nesse processo, passamos a entender o que o público em geral pensava e quais eram suas preocupações, e concluímos conjuntamente que as transformações terminais foram benéficas. A percepção inicial dos riscos associados a operações ou produtos específicos normalmente não correspondia aos níveis reais de risco, que ficaram mais claros após esse processo participativo.
Além disso, as pessoas da região de Duisburg geralmente estão abertas a discutir propostas para melhorar a área, a ouvir e a contribuir.
Outra ação importante é abordar o impacto das operações logísticas nas áreas vizinhas. Com isso em mente, temos construído novas estradas e áreas de estacionamento dentro e até fora do porto para reduzir o tráfego de caminhões em bairros residenciais.
Nesses projetos, ultrapassamos nossas obrigações formais sob permissões operacionais e estamos dispostos a melhorar a região portuária mais ampla, apoiando a comunidade e as áreas ao redor. Como resultado, ajudamos a reduzir o trânsito, a poluição sonora e impactos similares.
Também levamos em mente o bem-estar da equipe de logística. As operações portuárias como um todo geram mais de 50.000 empregos, e avaliamos constantemente opções para melhorar as condições de trabalho das pessoas envolvidas em atividades portuárias, mesmo que não sejam funcionários diretos da DUISPORT.
Um exemplo é a oferta de comodidades para motoristas de caminhão, para que eles tenham onde passar a noite quando necessário, com áreas sociais, instalações sanitárias e muito mais.
Parcerias globais e corredores verdes
Mariana – Tecnologística:
Pensando nas parcerias internacionais da duisport e, especificamente, nos laços entre o Porto de Duisburgo e o Brasil: você poderia me contar um pouco mais sobre sua visão para o futuro e sobre a parceria com o Porto de Pecém para um corredor de energias verdes?
Johannes Eng – Duisport:
Logística e cadeias de suprimentos são inerentemente globais. Como porto interior, temos uma longa tradição de construir relações com portos marítimos como Rotterdam, Antuérpia e Amsterdã, que estão ligados ao Reno.
Temos negociado com eles há séculos, junto com outros parceiros nacionais e internacionais tradicionais.
Essa rede também está sendo expandida além do mercado único da União Europeia, e algumas das iniciativas existentes se enquadram na agenda de transição energética. Globalmente, existem regiões com potencial muito maior para produzir grandes quantidades de energia acessível do que a maioria dos locais na Europa.
Observamos que o Brasil, e especialmente o nordeste do país, possui uma comunidade de energia verde muito dinâmica e ativa. Para nós, o Porto de Pecém e a Zona de Processamento de Exportação de Pecém (ZPE) são elementos importantes para tornar a transição energética uma realidade, e, neste caso, o Porto de Roterdã também está envolvido na criação de um corredor verde.
O Brasil, e especificamente o Porto de Pecém, é um parceiro estratégico. Está localizada a cerca de 10 a 12 dias da Europa por mar, e não há gargalos significativos ou questões de segurança que possam comprometer o livre comércio.
Usamos nossa expertise em cadeia de suprimentos para preencher lacunas ou construir pontes que unam mercados. Por meio dessa parceria do corredor verde, buscamos enviar um sinal claro ao mercado.
Os operadores devem gerenciar seus modelos de negócios, desenvolvimento de projetos e estruturas de mercado. Depois disso, podem deixar a logística e a cadeia de suprimentos para o porto. Garantimos que os jogadores relevantes se conheçam e alinhem suas necessidades entre si e conosco.
Estamos desenvolvendo um roteiro, discutindo o desenvolvimento estratégico em documentos de política, conectando mercados, construindo novas parcerias energéticas e encontrando soluções para garantir que opções resilientes na cadeia de suprimentos estejam disponíveis.
Rodada de perguntas rápidas
P: Além de Duisport, qual é o seu porto favorito no mundo?
R: Acho que não existe um único porto favorito. Mas a cooperação global de portos como sob o Corredor Verde é fantástica e ajuda a moldar o futuro.
P: Você pode nos dar um "spoiler" da sua visão de 10 anos para a cadeia de suprimentos de hidrogênio verde da Alemanha?
R: A transição energética tornou-se realidade e os stakeholders estão utilizando as ótimas ferramentas que a logística e a cadeia de suprimentos podem oferecer para gerar valor sustentável.
P: Que conselho você daria para jovens profissionais que estão começando uma carreira em logística?
R: Deixe os paradigmas para trás e pense fora da caixa.
Confira abaixo a entrevista em inglês:
Port authorities are often required to design innovative solutions for port operations, considering efficiency, safety, and cost-effectiveness at the same time. Doing all that in an ever-changing environment is not easy, but there are relevant examples of how to enhance port infrastructure resilience with a future-oriented mindset. Duisport is a strong benchmark in this regard.
Duisport (Duisburger Hafen AG) is the world’s largest inland port, and, alongside its massive size, it carries great ambitions: to shape the future of logistics in an intelligent, sustainable, and highly connected way, with state-of-the-art infrastructure and smart solutions tailored to connect economic regions, people, and markets.
The port itself has undergone a remarkable transformation: from its massive coal import terminals to a bold remodeling as a global logistics hub, the history of the Port of Duisburg is intertwined with the broader transformation of the Ruhr region. Duisport plays a role in supporting the growing demand from the industry for hydrogen and its derivatives, and functioning as a liaison between governments, industry, and potential hydrogen market participants.
Europe’s first climate-neutral container terminal based on hydrogen technology is being built in the Port of Duisburg:

(Source: Portos Mundiais Sustentáveis)
In this interview, we are going to explore this transformation, and we are honored to have Johannes Eng, Senior Project Manager Corporate Development & Strategy at duisport (Duisburger Hafen AG), who generously shares his expertise in new energies, hydrogen and its derivatives, green energy supply chains, and port transformation with us.
Pillars of Duisport’s energy transition
Mariana – Tecnologística:
Besides the green energy transition agenda, energy security has become a critical geopolitical concern for Europe, especially after 2022. How is duisport thinking about supply chain resilience, especially in relation to energy?
Johannes Eng– duisport:
Duisport’s Corporate Development and Strategy team looks at both internal and external future demands for port sustainability, and energy transition is one of the topics with transformative, or even disruptive developments in the supply chain.
An initial spark to the development process regarding energy transition first appeared more than six years ago, when we started reflecting on how port operations develop in the future. These reflections led to several projects, including the hydrogen hub initiative.
The development of this energy transition effort is based on three pillars.
The first pillar is the port transformation; it focuses on transforming port infrastructure to make it future ready, so the infrastructure we have in the port today fit the purpose of the future. A good example is how we anticipated a decrease in coal use and shipping and the resulting transformation of supply chains. These changes require infrastructure adaptation to enable the flow of new products and services, including alternative clean fuels such as green ammonia.
Coal and ammonia, as you may expect, are two completely different products with very different infrastructure requirements. Starting with general safety and toxicity concerns related to ammonia, port infrastructure must be aligned with its production and supply characteristics, with a strong technology-readiness approach.
While coal is being phased out, demand for ammonia is rising and you can’t use the same terminal to process these demands. So what does that mean for us as a port?
The answer lies in the second pillar, which addresses how the port can respond to these changes from a supply chain dimension. New production regions, partnerships, and trading routes require a port that has the ability and tools of a “matchmaker”, capable of responding to diverse needs, from geopolitical issues to energy dependencies.
This leads to the third and final pillar, which considers the entire ecosystem in which the port authority operates. Energy transition demands come from different stakeholders that operate within the port area.
All parties work together to understand what is already available in the port and to map out what is not yet available but may be needed in the future. That is why it is crucial to be actively involved in this ecosystem, network, or discussion environment, however you may call it, to jointly arrive at the right solutions.
It is not feasible for the port authority to carry out these transformations alone. The port authority is not even responsible for the largest share of emissions, but it can support the infrastructure needs of hard-to-abate sectors (such as shipping and transport) so they can reach their decarbonization goals.
If a ship operator decides to bunker hydrogen instead of diesel, the port authority plays an enabling role by ensuring there is an operational offering for this demand. The port authority is not directly responsible for the supply or to operate a bunkering station; yet it ensures that the hydrogen supplier and consumer find the right environment to operate in, including the appropriate berth for bunkering, for example.
For the ground transportation sector the port can provide refueling and electricity stations within the port, and so on.
Our strategy comes from the sum of these 3 pillars, which also reveal the core of our matchmaking role: our team at duisport develops and curates a toolbox to offer to port stakeholders; in exchange, we offer them to the stakeholders to make use of these tools and ask if anything is missing.
Duisport’s sustainable logistics projects and EnerPort
Mariana – Tecnologística:
Duisport is positioning itself as a very important actor in the development of sustainable logistics, including its contribution to the hydrogen ecosystem in North Rhine-Westphalia and beyond. One of the projects that is becoming a valuable benchmark for sustainable energy supply in ports and logistics centers worldwide is EnerPort II. Could you give us an overview of the project’s journey? What were the most challenging points or most important lessons learned?
Johannes Eng – duisport:
First of all, EnerPort II is an ongoing project composed of different steps. Duisport enables sustainable infrastructure and logistics through at least three projects or aspects.
Project number one relates to the structural transformation (in German, Strukturwandel) from a traditional industry to future industries. The decline of coal imports changes the port landscape and infrastructure, and the port prepares itself for these transformations.
The second project focuses strongly on increasing modal shift. For decades, we have been moving cargo off the road and onto the railway and waterway network with great efficiency, due to duisport’s unique position at the intersection of the River Rhine and its connections to major centers such as Mannheim and Basel, and at the entry point of German canal network.
This shift alone already makes an important contribution to reducing emissions from road transport. On top of that, duisport decided to design its new container terminal that increases the multimodal handling capacities, and since this was already on the picture, why not try to implement green technologies capable of making this a climate-neutral container terminal? We decided to investigate if this was possible.
The first studies started by combining available technologies such as photovoltaic systems, batteries, and hydrogen, taking advantage of the fact that almost everything at the terminal is electric or can be electrified, including container bridges, trucks, and administration buildings .
To study the feasibility of this project, we teamed up with technology providers and research institutions in a project called EnerPort I. That first theoretical phase was essentially conceptual and analytical, and it concluded that the energy terminal was feasible.
With a concept and strategy in place, several options are now being explored. Beyond bunkering alternative fuels and supporting distributed generation for port activities, the supply of energy to neighboring industrial and residential areas is being considered. If this is implemented, it could expand the port’s role beyond logistics, by also serving the surrounding environment.
The distribution dimension is the third aspect of duisport’s sustainable logistics initiatives.
The main challenge is not last‑mile distribution (tank containers, specially), since it is using proven technologies, but how to develop distribution in a way that fully leverages the integration of the terminal with water, road, and rail connections.
One constraint relates to restrictions on the storage of dangerous goods. If the goal is to store ammonia (and not just handle it within 24 hours), a dedicated container terminal is required for such a complex operation. That is exactly what we are working on again.
Building storage facilities for containers that can handle hazardous goods such as hydrogen and ammonia, is essential, because at the operational level, it is neither possible nor convenient to move all such units within a single day.
These storage facilities provide logistics solutions for clients who do not have daily container movements and need storage space to consolidate cargo, or for those whose production are not large enough to be supplied by rail, or do not have access to waterways and are therefore more dependent on road transport.
For hydrogen production in particular, storage capabilities are important to connect production regions that are not linked to the German hydrogen backbone. This storage terminal makes it possible to transport buffer units and then move them when needed.
In short, there are at least three sustainable logistics projects or endeavors that are deeply intertwined and connected to one another.
City–port relationship and public engagement
Mariana – Tecnologística:
As Anna Grevé (Head of the Department of Electrochemical Energy Storage at Fraunhofer UMSICHT) once said, “inland ports are special urban districts with their own energy requirements”.
Projects like EnerPort II are especially challenging, as they must meet economic viability, climate and environmental protection requirements, and a long list of regulatory constraints. How did the EnerPort II project take this complex city–port relationship into account?
Johannes Eng – Duisport:
Being a city port means being located within dense urban infrastructure and very close to residential areas. In this context, the port is committed to engaging the wider public and neighboring communities in the discussion processes mentioned earlier. Meaningful participation of affected stakeholders is very important, and in this regard the city of Duisburg also plays a central role.
The city of Duisburg, together with an institute from the University of Wuppertal (Institut für Demokratie und Partizipationsforschung), conducted a structured consultation process in which 45 randomly selected citizens discussed the potential and challenges of new hydrogen technologies for Duisburg city.
Participants received input from experts representing a wide range of perspectives, went on an excursion to the Port of Duisburg, interviewed representatives from politics, business, public administration, and civil society, and discussed their expectations and concerns regarding hydrogen.
During the workshops organized in this period, we gained deep insights and a better understanding of public concerns. Our communication is based on the principles of clarity and transparency. We can talk openly about hazardous goods such as ammonia, because we take all necessary measures to ensure that the port infrastructure is ready to handle them, and our team is fully familiar with these substances.
People may criticize German bureaucracy and regulation, but the positive aspect is that we know what we must do and how to comply. These regulations provide strict mechanisms to ensure that operations are in line with the law and, as a result, offer certainty about what we are allowed and not allowed to do. And most important: to adhere to the latest and strictest safety routines and protocols.
In this process, we came to understand what the general public thought and what their concerns were, and we jointly concluded that the terminal transformations were beneficial. The initial perception of risks associated with operations or specific products typically did not match the actual risk levels, which became clearer after this participatory process.
In addition, people from the Duisburg region are generally open to discussing proposals to improve the area, to listening, and to contributing.
Another important action is to address the impact of logistics operations on neighboring areas. With this in mind, we have been building new roads and parking areas inside and even outside the port to reduce truck traffic in residential neighborhoods.
In these projects, we go beyond our formal obligations under operating permits, and we are willing to improve the wider port region, supporting the community and surrounding areas. As a result, we help to reduce traffic, noise pollution, and similar impacts.
We also keep the well-being of the logistics workforce in mind. Port operations as a whole generate more than 50,000 jobs, and we constantly assess options to improve working conditions for people involved in port activities, even if they are not duisport’s direct employees.
One example is the provision of amenities for truck drivers, so they have somewhere to stay overnight when needed, with social areas, sanitation facilities, and more.
Global partnerships and green corridors
Mariana – Tecnologística:
Thinking about duisport’s international partnerships and specifically about the ties between duisport and Brazil: could you tell me a bit more about your vision for the future and about the partnership with Pecém Port for a green energies’ corridor?
Johannes Eng – Duisport:
Logistics and supply chains are inherently global. As an inland port, we have a long tradition of building relationships with seaports such as Rotterdam, Antwerp and Amsterdam, which are attached to the Rhine.
We have been trading with them for centuries, together with other traditional national and international partners.
This network is also being expanded beyond the European Union’s single market, and some of the existing initiatives fall under the energy transition agenda. Globally, there are regions with much higher potential to produce large amounts of affordable energy than most locations in Europe.
We have observed that Brazil, and particularly the northeast of Brazil, has a very dynamic and active green energy community. For us, the Port of Pecém and the Pecém Export Processing Zone (ZPE) are important elements in making energy transition a reality, and in this case the Port of Rotterdam is also involved in creating a green corridor.
Brazil, and specifically the Port of Pecém, is a strategic partner. It is located roughly 10 to 12 days away from Europe by sea, and there are no significant bottlenecks or safety issues that could compromise free trade.
We use our supply chain expertise to bridge gaps or to build bridges to bring markets together. Through this green corridor partnership, we aim to send a clear signal to the market.
Operators must manage their business models, project development, and market structures. Once they do that, they can leave logistics and supply chain to the port. We ensure that the relevant players get to know each other and align their needs with one another and with us.
We are developing a blueprint, discussing strategic development in policy papers, connecting markets, building new energy partnerships, and finding solutions to ensure that resilient supply chain options are available.
Fireball questions
Mariana: Apart from Duisport, what is your favorite port in the world?
Johannes: There is no real one most favorite port, I guess. But global co-operation of ports like under the Green Corridor is a phantastic playground to help shaping the future.
Mariana: Can you give us one “spoiler” from your 10‑year vision for Germany’s green hydrogen supply chain?
Johannes: Energy transition has become a reality and stakeholders are using the great tools logistics & supply chain can provide to generate sustainable value.
Mariana: What advice would you give to young professionals who are starting a career in logistics?
Johannes: Leave paradigms behind and think outside the box.

Johannes Eng is Senior Project Manager Corporate Development & Strategy at duisport Duisburger Hafen AG , working with New Energies, Hydrogen & Derivatives, Green Energy Supply Chains, Port Transformation. He studied both at EUFH European University of Applied Sciences Brühl in Germany and in Saint Mary’s University, Halifax, Canada.