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CNT afirma que mudança na jornada 6x1 pode ampliar déficit de mão de obra e elevar custos no transporte

Entidade defende negociação coletiva e aponta risco de impacto sobre logística, serviços públicos e contas públicas
Por Redação em 19 de fevereiro de 2026 às 7h11
CNT afirma que mudança na jornada 6x1 pode ampliar déficit de mão de obra e elevar custos no transporte
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) declarou que a possível extinção da jornada 6x1 deve considerar as especificidades do setor de transporte, sob risco de ampliar a escassez de mão de obra, elevar custos operacionais e comprometer a regularidade de serviços essenciais à economia.

O posicionamento foi divulgado em meio ao debate sobre alterações na jornada de trabalho. A entidade informou que acompanha a discussão e defende que qualquer mudança seja conduzida com previsibilidade e análise técnica.

O transporte opera de forma contínua, com funcionamento 24 horas por dia, e atende cadeias produtivas, serviços públicos e o deslocamento de passageiros. A atividade está diretamente ligada ao abastecimento de alimentos, medicamentos, insumos industriais, atendimento de saúde e operações logísticas em todo o território nacional.

Segundo a CNT, a redução da jornada sem ampliação do quadro de trabalhadores pode aprofundar dificuldades já existentes na reposição de profissionais qualificados. Dados de pesquisas realizadas pelo Sistema Transporte indicam escassez de mão de obra em diferentes segmentos.

No Transporte Rodoviário de Cargas, levantamento realizado em 2021 apontou que 65,1% das empresas relataram falta de motoristas profissionais. O estudo também registrou carência de mecânicos e profissionais de manutenção (19,2%), gerentes operacionais (15,1%) e profissionais administrativos (14,4%).

No Transporte Urbano de Passageiros, pesquisa de 2023 identificou que 53,4% das empresas enfrentam escassez de motoristas. A falta de mecânicos e profissionais de manutenção foi mencionada por 63,2% dos entrevistados. O levantamento também apontou desafios relacionados à qualificação (41,4%), baixa experiência (40,8%) e baixa atratividade da profissão (33,3%).

A entidade avalia que a redução da jornada, sem recomposição de mão de obra, pode exigir novas contratações para manter a operação, elevando despesas com pessoal e impactando tarifas e contratos de prestação de serviços. No caso do transporte urbano, alterações na escala podem influenciar custos operacionais e subsídios públicos.

A CNT também destacou que eventual mudança na jornada teria reflexos sobre a administração pública, que emprega profissionais submetidos às mesmas regras trabalhistas. Em cenário de restrição fiscal, a ampliação de quadros para compensar redução de carga horária poderia pressionar despesas obrigatórias.

Como alternativa, a Confederação defende que o tema seja tratado por meio de negociação coletiva entre empregadores e trabalhadores, permitindo ajustes conforme as características de cada segmento, região e empresa. Segundo a entidade, setores em que a jornada 5x2 é viável já adotam esse modelo.

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