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Venda de caminhões recua em 2025 e impacta renovação de frotas e logística no Brasil

Queda nos emplacamentos pressiona transportadores, indústria e planejamento do transporte rodoviário de cargas
Por Redação em 16 de janeiro de 2026 às 7h54
Venda de caminhões recua em 2025 e impacta renovação de frotas e logística no Brasil
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

As vendas de caminhões no Brasil registraram retração em 2025, afetando diretamente o setor de logística e o planejamento do transporte rodoviário de cargas, principal modal da matriz logística nacional. Dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) apontam queda de 8,7% nos emplacamentos de caminhões no período, com 110.873 unidades comercializadas, frente a 121.373 registradas no ano anterior.

A redução no volume de vendas ocorre em um contexto de custos operacionais elevados, restrições de crédito e maior cautela por parte de transportadores, operadores logísticos e empresas embarcadoras na renovação de suas frotas. O desempenho do mercado reflete decisões mais conservadoras de investimento, diante da pressão sobre margens e da volatilidade nos preços de insumos como combustível, manutenção e financiamento.

Mesmo com a retração do mercado, a Volkswagen manteve a liderança nas vendas de caminhões em 2025, com 30.200 unidades emplacadas e participação de 27,2%. A Mercedes-Benz ficou na segunda posição, com 29.828 unidades e 26,9% de market share, seguida pela Volvo, com 20.073 veículos e 18,1% de participação. As três montadoras concentraram a maior parte das vendas, evidenciando a estrutura consolidada do setor de veículos comerciais no país.

No ranking de modelos, o Volkswagen Delivery 11.180 foi o caminhão mais vendido do Brasil em 2025, com 6.543 unidades. O modelo superou o Volvo FH 540, que registrou 5.403 emplacamentos e liderava o ranking desde 2019. A mudança na liderança indica maior participação de veículos voltados à distribuição urbana e regional, segmentos relevantes para a logística de última e média milha.

Entre os dez caminhões mais vendidos do ano também figuraram os modelos Volvo FH 460, com 3.613 unidades, DAF XF 530, com 3.480, Volvo VM 360, com 3.254, Mercedes-Benz Accelo 1017, com 3.210, Scania R 460, com 2.599, DAF XF 480, com 2.296, Volvo FH 500, com 2.223, e Mercedes-Benz Accelo 1117, com 2.155 unidades comercializadas. A lista reforça a predominância de caminhões médios e pesados nas operações de transporte de cargas de longa e média distância.

No segmento de caminhões elétricos, o mercado apresentou retração ainda mais acentuada. As vendas recuaram 23,1% em 2025, com 369 unidades emplacadas, frente a 480 no ano anterior. A JAC liderou o segmento, com 164 unidades comercializadas, seguida pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, com o modelo e-Delivery, que registrou 86 emplacamentos, e pela Foton, com 34 unidades.

Outras marcas, como Nanjing, Tesla, Sany, Mercedes-Benz, XCMG, Fuso, Agrale, Higer e Scania, apareceram com volumes menores, indicando que a eletrificação no transporte de cargas segue concentrada em nichos específicos, especialmente em operações urbanas e projetos-piloto. A adoção mais ampla ainda enfrenta desafios relacionados a custo, infraestrutura de recarga e viabilidade operacional em longas distâncias.

Para 2026, a Fenabrave projeta retomada moderada no mercado de caminhões, com previsão de 115 mil unidades comercializadas, o que representaria crescimento de 3,5% em relação a 2025. A entidade atribui parte dessa expectativa ao programa Move Brasil, lançado pelo governo federal, que prevê até R$ 10 bilhões em financiamentos via BNDES para a compra de caminhões novos e usados.

A perspectiva de ampliação do crédito é vista como um fator relevante para destravar investimentos em renovação de frota, reduzir a idade média dos veículos em circulação e melhorar a eficiência do transporte rodoviário. Para o setor de logística, o comportamento do mercado de caminhões segue sendo um indicador direto da atividade econômica e da capacidade de atendimento das cadeias produtivas no país.

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