
A substituição de isotanks por flexitanks vem ganhando espaço no transporte internacional de líquidos a granel, especialmente entre empresas dos setores químico, alimentício e do agronegócio. Segundo a DHL, a mudança é impulsionada pela combinação entre exigências de sustentabilidade, auditorias internacionais e pressão de investidores por métricas de consumo de recursos e geração de resíduos.
Os flexitanks são equipamentos de polipropileno instalados dentro de contêineres convencionais. Em comparação com os modelos tradicionais, a solução permite eliminar a etapa de higienização do equipamento após a descarga, processo que demanda água tratada e pode gerar efluentes industriais de difícil gerenciamento.
De acordo com Eric Brenner, CEO da DHL Global Forwarding no Brasil, questões ambientais relacionadas aos ativos logísticos passaram a integrar as decisões estratégicas das empresas. “A discussão sobre sustentabilidade na cadeia de suprimentos subiu para o C-level. O consumo de água na higienização de um ativo ou o risco de contaminação cruzada são tratados como fatores de risco financeiro e de imagem”, afirma.
Além da redução do consumo de recursos, a adoção dos flexitanks está relacionada à busca por maior segurança sanitária e rastreabilidade, principalmente em mercados regulados, como a América do Norte. Em determinadas operações, os embarcadores optam por equipamentos de primeiro uso a cada envio, reduzindo o risco de contaminação cruzada de produtos.
A mudança também envolve a integração de processos logísticos. A DHL passou a acompanhar etapas que incluem a produção dos flexitanks e o rastreamento individual dos equipamentos por lote e número de série durante o transporte internacional. A estratégia busca ampliar o controle sobre as cargas e atender às exigências de compliance dos embarcadores.
Com isso, critérios relacionados ao consumo de recursos naturais e à segurança operacional passam a complementar o custo do frete na avaliação das alternativas de transporte. Para a DHL, o movimento indica uma mudança na forma como a eficiência logística é avaliada no comércio exterior, incorporando aspectos ambientais e de rastreabilidade à tomada de decisão.