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Operadores Logísticos movimentam R$ 247 bilhões e avançam no transporte multimodal, aponta estudo

Levantamento anual da ABOL em parceria com o ILOS mostra crescimento do setor, avanço da multimodalidade e avaliações do setor sobre a infraestrutura brasileira
Por Redação em 24 de setembro de 2026 às 10h16
Operadores Logísticos movimentam R$ 247 bilhões e avançam no transporte multimodal, aponta estudo
Foto: Magnific
Foto: Magnific

Os operadores logísticos faturaram R$247 bilhões em 2025, o equivalente a quase 2% do PIB e 20% dos gastos nacionais com transporte e armazenagem. Os resultados foram divulgados no Perfil dos Operadores Logísticos 2026, levatamento bianual encomendado pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) ao Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).

De acordo com o mapeamento o setor, formado por cerca de 1.500 empresas, cresceu 18% em faturamento, e já representa 20% dos R$ 1,2 trilhões gastos com transporte e armazenagem anualmente no Brasil. Os operadores logísticos empregam cerca de 2,8 milhões de trabalhadores direta e indiretamente, 2,7% da população ocupada no Brasil. Na arrecadação, o setor gerou R$57 bilhões em tributos e encargos.

 

Avanço do transporte multimodal

O aumento das operações multimodal foi o destaque desta edição, alinhado à perspectiva do Plano Nacional de Logística 2050, lançado pelo Ministério dos Transportes em agosto com colaboração da ABOL. De acordo com a ABOL, o Perfil deste ano trouxe avanços significativos: pela primeira vez na história do mapeamento, 31% dos operadores logísticos oferecem serviços envolvendo mais de um modal. A participação chega a 44% entre os grandes OLs, contra 29% entre os médios e 19% entre os pequenos.

A pesquisa também concluiu que as empresas multimodais apresentam maior escala. Atendem, em média, 12 estados e 11 setores econômicos ao mesmo tempo, contra 10 estados e 07 segmentos entre os que não oferecem esse tipo de serviço.

Apesar do avanço, a expansão ainda é limitada: apenas 20% das cargas passam por dois ou mais modais na mesma operação. O modal rodoviário ainda predomina, estando presente em 94% das operações. O modal aéreo nacional ocupa o segundo lugar com 21%, seguido do aéreo internacional com 8%, ambos impulsionados pelo alto volume do e-commerce e de cargas sensíveis, como farmacêuticas e perecíveis.

Outros modais utilizados são o marítimo internacional (7%), a cabotagem (7%), o ferroviário (5%) e o hidroviário (3%).

Para as empresas, a multimodalidade aparece como oportunidade para aumentar a eficiência, reduzir custos e emissões de gases poluentes. Apesar de ainda estar entre os menos utilizados, o transporte por cabotagem, por exemplo, cresce em avaliações positivas, com 46% dos respondentes afirmando redução de custos com o uso do modal. "Considerando que o rodoviário está pressionado em custos, a cabotagem entra como alternativa", afirma Maria Fernanda Hijjar, sócia-diretora do ILOS e responsável pela apresentação do estudo.

No entanto, a infraestrutura limitada, a baixa oferta de rotas e a falta de integração regulatória despontam como entraves na adoção de operações multimodal, conforme respondido pelos OLs. Ferrovias e hidrovias receberam as piores avaliações, com notas médias de 3,2 e 3,4, respectivamente, em uma escala de zero a dez.

Nos terminais que conectam os modais, barreiras regulatórias são apontadas como gargalos nas unidades aéreas, portuárias e alfandegárias, enquanto a baixa disponibilidade é o principal problema nos terminais ferroviários e hidroviários.

"O Brasil ainda pensa muito em modais e pouco em logística integrada. Os dados mostram que precisamos mudar essa lógica. Não basta ter rodovia, ferrovia, hidrovia, porto e aeroporto, é preciso que essas infraestruturas se conectem de forma eficiente. Os Operadores Logísticos estão justamente no centro dessa integração por enxergar toda a cadeia. Por isso, ampliar a multimodalidade não é apenas uma agenda do nosso setor, mas uma agenda de produtividade e competitividade para o País", afirma Marcella Cunha, diretora executiva da ABOL.

 

Tecnologia lidera investimentos

Os investimentos em tecnologia lideraram em 2025, com 83% dos respondentes afirmando ter investido em softwares e 78% tendo investido em modernização das instalações. A frota ganhou espaço e já é foco de 64% das empresas (aquisição ou leasing). Na área de pessoas, 89% investiram em qualificação, porém com queda do valor médio investido por funcionário (R$/Funcionário), quando comparado com 2024.

Dentre as tecnologias mais utilizadas, estão a integração de sistemas com clientes (87%), WMS (87%), TMS (86%), torres de controle (81%) e computação em nuvem (70%). Dentre as tecnologias com previsão de adoção até 2026, estão agentes de IA (84%), data analytics (70%), torre de controle (64%) e cibersegurança (63%).

Maria Fernanda, do ILOS, ressalta que, apesar dos investimentos massivos em tecnologia, a tecnologia caiu em posicionamento, sendo adotada por apenas 22% das empresas. "O principal investimento dos operadores é em tecnologia, mas todos estão fazendo, não é um diferencial", afirma.

Tecnologias como WMS e TMS já são vistas como consolidadas, enquanto torres de IA, apps para motoristas e torres de controle, dentre outras, estão em expansão. Tendências mais recentes como cibersegurança, data analytics, veículos elétricos e automação de armazém estão em estágio embrionário nas empresas. Já gêmeos digitais, internet das coisas, realidade virtual, robotização, blockchain, drones, humanoides e operação remota ainda são pouco adotadas e classificadas como idealizadas.

 

Crescimento sob pressão

Cerca de 73% operadores registraram crescimento de receita e da carteira de clientes, acompanhado por contratações e aportes. No entanto, a margem de lucro, avançou em ritmo inferior ao faturamento, pressionada pelos custos logísticos. Apenas 45% dos OLs aumentaram sua margem e 28% registraram queda. Em relação aos preços, 44% reajustaram abaixo da alta de custos, 19% mantiveram os valores estáveis e 3% chegaram a reduzir.

O custo com combustível foi apontado como um dos maiores impedimentos por 48% dos respondentes, seguido por operações de transporte aéreo, com 36%, e pelo transporte rodoviário, com 32%. A mão de obra consome 37% do faturamento, e impostos e tributos representaram 17% da receita operacional bruta.

A pressão varia de acordo com o porte das empresas. 38% dos operadores de pequeno porte perderam margem e 62% repassaram menos do que a alta de custos. Os operadores de grande escala se saíram melhor, mas 13% registraram queda de receita.


 

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