
O Brasil pode ampliar sua participação na descarbonização do transporte marítimo internacional com o uso do etanol como combustível alternativo. O potencial do biocombustível e os desafios para sua adoção na navegação foram discutidos durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, realizada em São Paulo nos dias 26 e 27 de outubro de 2026.
O debate reuniu os almirantes de esquadra José Augusto da Cunha de Menezes, ex-representante permanente do Brasil junto à Organização Marítima Internacional (IMO), e Claudio Mello, atual representante brasileiro na organização. A mediação foi de Mario Campos Filho, presidente da SIAMIG/Bioenergia Brasil.
Segundo Cunha de Menezes, a experiência brasileira na produção e no uso do etanol em larga escala representa uma vantagem para o país na transição energética do transporte marítimo. O desafio, afirmou, é conquistar reconhecimento internacional para o combustível e ampliar sua presença nas estratégias de redução de emissões do setor.
“O Brasil está num momento privilegiado na revolução marítima global. Não precisamos descobrir novas fontes, pois já dominamos o etanol, sendo o segundo maior produtor do mundo e com expertise no seu uso. Nossa maior vitória será provar para o mundo, em foros como a IMO, que somos a opção mais prática, limpa e abundante de transição de transporte marítimo global e sem perdas logísticas”, disse.
Claudio Mello destacou que a IMO está desenvolvendo metas e regulamentações para reduzir as emissões da navegação internacional e, nesse processo, o Brasil precisa defender o reconhecimento das características de sua matriz energética e das possibilidades de uso de biocombustíveis.
“O desenvolvimento do etanol para navegação consolida o que temos de mais poderoso no Brasil, que é a energia de base renovável e o agronegócio de ponta. Enquanto os Estados Unidos apostam pesado na inovação e na frota circulante, nós do Brasil não dependemos de importar infraestrutura; o etanol nos dá protagonismo”, afirmou. “Nosso papel é assegurar que a nossa matriz limpa se encaixe sem resistência”.
O representante brasileiro também chamou atenção para a importância de uma atuação coordenada entre governo, produtores de biocombustíveis, armadores e operadores portuários. A articulação será necessária para desenvolver as condições de fornecimento, infraestrutura e utilização do etanol na navegação, além de fortalecer a posição brasileira nas negociações internacionais.