
A Brado criou um novo modelo operacional para integrar os fluxos de contêineres entre o Porto de Santos (SP), Sumaré (SP) e Rondonópolis (MT). Batizado de Projeto Carrossel, o sistema utiliza o terminal da empresa em Sumaré como ponto de conexão entre cargas de importação, mercado interno e exportação, buscando reduzir viagens rodoviárias de retorno com contêineres vazios e aumentar a utilização dos ativos ferroviários.
Na operação tradicional, caminhões transportam contêineres de importação ou cabotagem do litoral para clientes no interior paulista e retornam ao Porto de Santos para devolver os equipamentos vazios. Com o novo modelo, após a entrega da mercadoria, o contêiner vazio é devolvido no terminal da Brado em Sumaré, onde passa por inspeção e preparação para um novo ciclo. O mesmo caminhão pode então receber outro contêiner, desta vez carregado com mercadorias do Mato Grosso destinadas à exportação, e seguir para Santos.
Segundo a Brado, a dinâmica permite reduzir deslocamentos de menor retorno financeiro para os transportadores e diminuir o tempo de ociosidade dos veículos. Para os embarcadores, a devolução do contêiner no terminal do interior também reduz a necessidade de deslocamento até o litoral e pode diminuir riscos de custos adicionais com demurrage, cobrança aplicada quando o equipamento não é devolvido dentro do prazo estabelecido.
“Na prática, o caminhoneiro é um dos principais beneficiados por esse modelo. Em vez de realizar o retorno com um contêiner vazio, que tem menor remuneração, ele já sai de Sumaré com uma nova carga destinada à exportação. Assim, aumenta o faturamento da operação, reduz deslocamentos de baixo retorno financeiro e diminui o tempo em que o motorista permanece ocioso entre uma viagem e outra”, explica Laion Suprano, gerente do terminal da Brado em Sumaré.
Para viabilizar o projeto, a empresa realizou melhorias nos terminais de Sumaré e Rondonópolis, incluindo ampliação das áreas de armazenagem e instalação de gates autônomos com quatro balanças integradas. A automação da pesagem busca reduzir o tempo de atendimento aos caminhões e dar maior fluidez à movimentação dos veículos nos terminais.
Depois da inspeção e preparação em Sumaré, os contêineres vazios seguem por ferrovia até Rondonópolis, onde são utilizados para atender às exportações do Mato Grosso. Dessa forma, o modelo cria um fluxo contínuo entre a demanda por equipamentos no interior paulista e a necessidade de contêineres para o embarque de cargas do Centro-Oeste.
De acordo com Renata Paschoali, gerente Comercial da Brado, a maior disponibilidade de equipamentos também pode contribuir para dar previsibilidade às operações de exportação. “Na logística, previsibilidade é um fator tão importante quanto capacidade. Quando conseguimos garantir que os contêineres estarão disponíveis no momento certo, damos mais segurança para que os embarcadores planejem suas operações e sustentem o crescimento das exportações ao longo do tempo”, afirma.
A Brado estima que o Projeto Carrossel possa elevar em 133% a capacidade de movimentação do terminal de Sumaré até 2032, além de aumentar em até 166% o volume de caminhões atendidos diariamente. No transporte ferroviário entre Sumaré e Rondonópolis, o potencial projetado é de crescimento de duas a três vezes no volume mensal de trens.