
A elevada carga tributária e as deficiências de infraestrutura seguem como os principais entraves à eficiência logística no Brasil, segundo a nova edição do estudo Perfil dos Operadores Logísticos, elaborado pela Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) em parceria com o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).
De acordo com o levantamento, 89% dos operadores logísticos apontam a redução de tributos como a principal demanda junto ao poder público. Em seguida, aparecem a melhoria da infraestrutura (80%) e o aumento da segurança (74%), evidenciando um cenário em que custos elevados e limitações estruturais impactam diretamente a competitividade do setor.
Outras medidas também são consideradas relevantes pelos entrevistados, como estímulos à contratação (68%) e a redução das taxas de juros (61%). Já aspectos institucionais, como melhoria da regulação (51%) e maior acesso a financiamento (47%), aparecem como demandas complementares para o desenvolvimento da atividade logística.
No recorte de infraestrutura, o estudo mostra uma predominância clara do modal rodoviário. Para 91% dos operadores logísticos, os investimentos devem se concentrar nas rodovias, principal eixo de movimentação de cargas no país.
Além das estradas, a infraestrutura urbana também ganha destaque. Cerca de 50% dos respondentes apontam a necessidade de melhorias nas vias das cidades, enquanto 43% mencionam os acessos aos centros urbanos como pontos críticos para a eficiência das operações.
Outros modais aparecem com menor prioridade relativa. O sistema portuário é citado por 24% das empresas, seguido pelo ferroviário (23%) e pelos acessos aos portos (16%). Já os modais hidroviário (9%) e aeroportuário (6%) são considerados demandas mais pontuais.
De acordo com a própria ABOL, os resultados do estudo refletem um descompasso entre as necessidades operacionais da logística e o ambiente econômico brasileiro. A combinação de custos elevados, gargalos de infraestrutura e limitações regulatórias continua pressionando a eficiência das operações e a competitividade das empresas.