
O Boletim Tracker Fecap, estudo da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) em parceria com o Grupo Tracker, registrou 733 ocorrências de roubos e furtos envolvendo caminhões e outros veículos pesados no Estado de São Paulo entre janeiro e maio de 2026. O número representa queda de 22,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 951 casos.
A retração foi concentrada nos roubos, que passaram de 614 para 401 ocorrências, redução de 34,7%. Já os furtos permaneceram praticamente estáveis, com 332 registros em 2026, ante 337 no ano anterior, queda de 1,5%. O comportamento mais recente, porém, acende um ponto de atenção: os furtos cresceram 8,1% em abril e 39,2% em maio.
O levantamento analisou, de forma inédita em dez anos de projeto, o comportamento dessas ocorrências entre 2024 e maio de 2026. Em 2024, foram registrados 2.106 eventos no estado. No ano seguinte, o total chegou a 2.141 casos, alta de 1,7%, com crescimento de 2,3% nos roubos e estabilidade nos furtos.
“O recuo está concentrado nos roubos, enquanto os furtos permanecem praticamente no mesmo patamar e voltaram a crescer nos dois últimos meses analisados. É importante observar essa mudança porque ela pode representar uma adaptação da atividade criminosa e exige acompanhamento contínuo”, afirma Erivaldo Vieira, pesquisador da Fecap e responsável pelo estudo.
Dias úteis concentram ocorrências
A distribuição dos casos ao longo da semana permaneceu semelhante à observada em 2025. Entre janeiro e maio de 2026, 73,3% das ocorrências ocorreram de terça a sexta-feira. A quarta-feira liderou, com 146 registros, seguida por quinta-feira, com 142; terça-feira, com 130; e sexta-feira, com 119. Juntos, os quatro dias somaram 537 ocorrências.
A noite e a madrugada também concentraram a maior parte dos registros. Considerando apenas os casos com horário válido, os dois períodos responderam por 60,2% das ocorrências em 2026, ante 58,3% no mesmo intervalo de 2025. A noite teve 172 registros, enquanto a madrugada somou 159.
Para Vitor Corrêa, gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, a mudança na composição dos casos exige estratégias de proteção que considerem toda a operação. “Não basta concentrar a prevenção apenas nos momentos de abordagem: é necessário proteger o veículo durante toda a operação, considerando rotas, paradas e locais de estacionamento”, afirma.
Capital registra alta de 8,1%
A cidade de São Paulo apresentou comportamento oposto ao do estado. A capital registrou 213 ocorrências entre janeiro e maio de 2026, contra 197 no mesmo período de 2025, alta de 8,1%. O município continua como principal concentração de roubos e furtos de veículos pesados no estado.
Guarulhos, segunda cidade com maior número de registros, teve queda de 80 para 46 ocorrências, retração de 42,5%. Também apresentaram reduções São Bernardo do Campo (-47,8%), Itapecerica da Serra (-40,9%), Limeira (-34,8%) e Campinas (-33,3%).
Osasco, Barueri e Santo André passaram a integrar o grupo dos dez municípios com maior número de ocorrências em 2026, substituindo Cubatão, Embu das Artes e Sumaré.
Na capital, o bairro do Jaçanã assumiu a liderança, com 18 casos, ante oito no mesmo período de 2025, alta de 125%. Parque Edu Chaves passou de oito para dez ocorrências, enquanto Vila Maria subiu de cinco para sete e Vila Jaguara, de três para cinco.
Entre os logradouros, a Rodovia Fernão Dias manteve a liderança, com 18 ocorrências nos dois períodos analisados. Os acessos ao corredor, entretanto, registraram aumento: o Acesso Rodovia Fernão Dias passou de quatro para sete casos, e o Retorno Rodovia Fernão Dias, de cinco para sete.
Caminhões e semirreboques concentram casos
As categorias diretamente relacionadas ao transporte rodoviário de cargas de longa distância responderam pela maior parte das ocorrências. Em 2025, caminhões, caminhões-tratores e semirreboques representaram 79,6% dos registros, ou 757 dos 951 casos.
Nos primeiros cinco meses de 2026, essas categorias somaram 556 das 733 ocorrências, equivalentes a 75,9% do total. A redução foi influenciada principalmente pela queda nos registros envolvendo semirreboques e caminhões-tratores. Já os caminhões convencionais apresentaram comportamento mais estável, enquanto os reboques tiveram aumento das subtrações sem violência.