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Transição energética no transporte pesado

Por Luis Fernando Assaf el 29 de mayo de 2026 a las 7h56

Transição energética no transporte pesado
Luis Fernando Assaf, presidente da MAT Equipamentos para Gases
O Brasil ocupa uma posição privilegiada na corrida global pela descarbonização, sustentada por uma matriz energética diversificada e uma vocação natural para a produção de biocombustíveis. No setor de transporte de cargas e passageiros, essa transição deixou de ser uma tendência teórica para se tornar um movimento estatístico concreto. Dados da Anfavea, - associação que representa as montadoras no Brasil, reforçam esse movimento. Entre janeiro e dezembro de 2025, os emplacamentos de caminhões e ônibus movidos a gás chegaram a 669 unidades no Brasil. Já em 2026, até abril, o segmento acumulava 236 licenciamentos, com participação de mercado subindo de 0,5% para 0,8%. Esse avanço, contudo, expõe um paradoxo estrutural que o país precisa enfrentar para consolidar sua liderança.

O grande desafio atual não reside na tecnologia dos motores, mas na defasagem da infraestrutura de abastecimento. A rede pública de GNV, historicamente dimensionada para veículos leves, tornou-se um gargalo para a eficiência logística. Para o transportador profissional, o uso de postos convencionais resulta em tempos de enchimento inadequados e dificuldades de manobra para carretas, gerando filas e deslocamentos que comprometem a produtividade. Esse cenário cria um "passivo logístico" que pode retardar a adoção de fontes mais limpas se não for tratado com uma visão analítica e estratégica.

Nesse contexto, o biometano surge como o grande protagonista para as médias e longas distâncias, especialmente em setores vitais como o agronegócio e a indústria de papel e celulose. Enquanto a eletrificação ainda enfrenta desafios relacionados a custos iniciais, infraestrutura e autonomia em determinadas aplicações de longa distância, o gás e, progressivamente, o biometano renovável, apresenta-se como a rota de descarbonização imediata e economicamente viável. Um estudo da consultoria BCG (Boston Consulting Group), indica que o biometano, o biodiesel e o HVO poderão avançar 30%, até 2035, em sua representatividade na matriz energética do transporte pesado

Para viabilizar esse potencial, a análise de mercado aponta para a interiorização da infraestrutura através de unidades corporativas de abastecimento. Ao implementar sistemas de compressão e dispensers de alta vazão dentro das próprias operações, as empresas transformam o custo do combustível em vantagem competitiva.

A adoção de estruturas próprias de abastecimento vem sendo estudada por operadores logísticos e embarcadores como alternativa para ampliar a previsibilidade operacional e reduzir gargalos de abastecimento.

Acredito que o papel da indústria é atuar como facilitadora dessa mudança, garantindo que a tecnologia de armazenamento e compressão atenda aos mais rigorosos padrões de segurança e normas técnicas, como a NBR 12236-1. O objetivo é prover a base técnica para que o biometano deixe de ser uma promessa regional e se torne uma solução acessível em escala nacional.

O caminho para um transporte sustentável no Brasil passa, obrigatoriamente, por eliminar as barreiras logísticas que ainda limitam a transição energética. Ao descentralizar o abastecimento e apostar na força dos biocombustíveis, não estamos apenas reduzindo emissões, mas redesenhando a eficiência da logística brasileira para as próximas décadas.

 

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