
A Sequoia concluiu uma nova etapa de sua reestruturação ao vender um ativo voltado ao e-commerce B2C para o Mercado Livre, em uma transação avaliada em cerca de R$ 40 milhões. O movimento marca a saída da companhia de parte relevante das operações de entrega ao consumidor final e abre caminho para um novo posicionamento estratégico, agora sob a marca Flash Courier.
A operação foi conduzida pela JiveMauá, que assumiu protagonismo na reestruturação da Sequoia desde 2023, quando passou a investir na empresa. Desde então, a gestora liderou um processo que incluiu a renegociação de cerca de R$ 1 bilhão em dívidas, com conversão significativa em capital e reestruturação de passivos.
A venda do equipamento Mega Sorter Damon ao Mercado Livre ocorre em um contexto de mudanças estruturais no setor logístico de e-commerce. Segundo a empresa, a crescente verticalização das operações por grandes varejistas e marketplaces, que passaram a internalizar suas próprias entregas, reduziu a atratividade do segmento B2C para operadores independentes.
“Uma das fortalezas da JiveMauá é a capacidade de adaptação. Mesmo em um caso em que o cenário se altera de forma significativa, conseguimos pivotar a estratégia e agregar valor na reestruturação financeira e operacional”, afirma Bruno Gomes, sócio e head da vertical de Distressed & Special Situations da JiveMauá.
Com a transação, a companhia reforça seu caixa, simplifica a estrutura operacional e direciona esforços para segmentos considerados mais rentáveis e previsíveis.
Novo posicionamento como Flash Courier
Após a conclusão dessa etapa, o Grupo MOVE3, que controla a operação da Sequoia, passa a adotar a marca Flash Courier como principal frente operacional, consolidando um reposicionamento focado em nichos específicos da logística.
A estratégia prioriza dois eixos principais: a logística de pequenos volumes e itens de alto valor, como cartões bancários, maquininhas de pagamento e dispositivos eletrônicos, além de operações de carga fechada (Full Load Truck), com rotas dedicadas e contratos recorrentes.
A Flash Courier inicia esse novo ciclo com uma estrutura nacional composta por 423 franquias, presença em mais de 1.500 cidades e cobertura de cerca de 72% da população brasileira, além de sistemas próprios de rastreamento e controle operacional.
“Fizemos escolhas difíceis no momento certo e agora a companhia está posicionada para crescer de forma sustentável, com ativos adequados ao seu modelo de negócio e uma base sólida de clientes”, afirma Leopoldo Bruggen, CEO da Flash Courier.
Ao deixar o B2C e focar em operações mais especializadas e contratos recorrentes, a empresa busca maior previsibilidade de receita e geração de caixa, em um modelo menos exposto à volatilidade do varejo digital.