
O setor de logística no Brasil ampliou o monitoramento e o reporte de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), segundo dados do II Inventário de Emissões GEE da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL). O estudo aponta que 77% das empresas participantes já realizam inventários individuais de emissões, indicando maior integração do tema climático ao planejamento operacional e estratégico das companhias do segmento.
O inventário foi lançado ao longo do mês de novembro durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP30), realizada no Brasil, em apresentação no pavilhão da Confederação Nacional do Transporte (CNT), na Green Zone do evento. A publicação sucede a primeira edição, apresentada em 2024, e amplia o volume de informações consolidadas sobre emissões no setor logístico.
Produzido em parceria com o Instituto Via Green, o levantamento mostra que 77% das empresas atribuem importância classificada como “alta” ou “altíssima” à agenda ambiental institucional. A iniciativa é conduzida pela diretoria ESG da ABOL e tem como objetivo apoiar as empresas associadas na tomada de decisões relacionadas à redução de emissões, identificação de fontes emissoras e definição de prioridades para processos de descarbonização.
O estudo foi elaborado com base em dados coletados junto a 22 empresas associadas, o que corresponde a 73% da base de filiados da entidade. As informações abrangem os Escopos 1, 2 e 3, que incluem emissões diretas de fontes próprias, emissões indiretas associadas à energia adquirida e emissões indiretas provenientes da cadeia de valor, como transporte upstream e ciclo de vida dos combustíveis.
De acordo com os resultados consolidados, a frota pesada é responsável pela maior parcela das emissões de GEE no transporte rodoviário logístico. O volume registrado foi de 1.377.911,95 toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e), representando aproximadamente 98,7% das emissões do setor. A frota leve respondeu por 18.422,50 tCO₂e, o equivalente a 1,3% do total apurado.
A principal fonte emissora identificada foi a combustão móvel, responsável por cerca de 58% das emissões totais. Esse volume é complementado pelas emissões indiretas do Escopo 3, que incluem atividades relacionadas ao transporte de insumos e ao ciclo de vida dos combustíveis, conhecido como Well to Tank (WTT).
Em relação às estratégias de mitigação adotadas pelas empresas participantes, 27% informaram o uso de alternativas tecnológicas para redução de emissões, enquanto outros 27% declararam investir em eficiência operacional e otimização de processos. O levantamento também indica a utilização de combustíveis alternativos, como biometano e etanol, por 14% das empresas.
O inventário registra ainda um aumento na participação das emissões biogênicas, que passaram de 9% para 11% em relação à edição anterior. Essas emissões estão associadas ao uso de biocombustíveis e têm impacto neutro na concentração de GEE na atmosfera. O crescimento está relacionado à ampliação de políticas de transição energética e à substituição parcial de combustíveis fósseis nas operações logísticas.
Outro dado destacado no levantamento é o aumento do nível de engajamento das empresas no reporte climático. Nesta edição, 77% das participantes apresentaram inventários completos que abrangem os três escopos de emissões, superando os 72% registrados no ciclo anterior. O resultado indica redução no número de empresas sem reporte e maior padronização na gestão das informações ambientais.
A apresentação do inventário durante a COP30 ampliou a visibilidade do papel dos operadores logísticos e transportadores na agenda climática. O setor enfrenta desafios relacionados ao repasse de custos associados a projetos de descarbonização, investimentos em novos ativos e adoção de tecnologias voltadas à redução de emissões, fatores que impactam diretamente a estrutura de custos e o planejamento de capital das empresas.