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Inventário setorial aponta avanço no monitoramento de emissões de GEE na logística brasileira

Levantamento da ABOL indica que 77% das empresas já realizam inventários individuais e destaca impacto da frota pesada nas emissões do setor
Por Redação em 31 de dezembro de 2025 às 7h42
Inventário setorial aponta avanço no monitoramento de emissões de GEE na logística brasileira
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O setor de logística no Brasil ampliou o monitoramento e o reporte de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), segundo dados do II Inventário de Emissões GEE da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL). O estudo aponta que 77% das empresas participantes já realizam inventários individuais de emissões, indicando maior integração do tema climático ao planejamento operacional e estratégico das companhias do segmento.

O inventário foi lançado ao longo do mês de novembro durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP30), realizada no Brasil, em apresentação no pavilhão da Confederação Nacional do Transporte (CNT), na Green Zone do evento. A publicação sucede a primeira edição, apresentada em 2024, e amplia o volume de informações consolidadas sobre emissões no setor logístico.

Produzido em parceria com o Instituto Via Green, o levantamento mostra que 77% das empresas atribuem importância classificada como “alta” ou “altíssima” à agenda ambiental institucional. A iniciativa é conduzida pela diretoria ESG da ABOL e tem como objetivo apoiar as empresas associadas na tomada de decisões relacionadas à redução de emissões, identificação de fontes emissoras e definição de prioridades para processos de descarbonização.

O estudo foi elaborado com base em dados coletados junto a 22 empresas associadas, o que corresponde a 73% da base de filiados da entidade. As informações abrangem os Escopos 1, 2 e 3, que incluem emissões diretas de fontes próprias, emissões indiretas associadas à energia adquirida e emissões indiretas provenientes da cadeia de valor, como transporte upstream e ciclo de vida dos combustíveis.

De acordo com os resultados consolidados, a frota pesada é responsável pela maior parcela das emissões de GEE no transporte rodoviário logístico. O volume registrado foi de 1.377.911,95 toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e), representando aproximadamente 98,7% das emissões do setor. A frota leve respondeu por 18.422,50 tCO₂e, o equivalente a 1,3% do total apurado.

A principal fonte emissora identificada foi a combustão móvel, responsável por cerca de 58% das emissões totais. Esse volume é complementado pelas emissões indiretas do Escopo 3, que incluem atividades relacionadas ao transporte de insumos e ao ciclo de vida dos combustíveis, conhecido como Well to Tank (WTT).

Em relação às estratégias de mitigação adotadas pelas empresas participantes, 27% informaram o uso de alternativas tecnológicas para redução de emissões, enquanto outros 27% declararam investir em eficiência operacional e otimização de processos. O levantamento também indica a utilização de combustíveis alternativos, como biometano e etanol, por 14% das empresas.

O inventário registra ainda um aumento na participação das emissões biogênicas, que passaram de 9% para 11% em relação à edição anterior. Essas emissões estão associadas ao uso de biocombustíveis e têm impacto neutro na concentração de GEE na atmosfera. O crescimento está relacionado à ampliação de políticas de transição energética e à substituição parcial de combustíveis fósseis nas operações logísticas.

Outro dado destacado no levantamento é o aumento do nível de engajamento das empresas no reporte climático. Nesta edição, 77% das participantes apresentaram inventários completos que abrangem os três escopos de emissões, superando os 72% registrados no ciclo anterior. O resultado indica redução no número de empresas sem reporte e maior padronização na gestão das informações ambientais.

A apresentação do inventário durante a COP30 ampliou a visibilidade do papel dos operadores logísticos e transportadores na agenda climática. O setor enfrenta desafios relacionados ao repasse de custos associados a projetos de descarbonização, investimentos em novos ativos e adoção de tecnologias voltadas à redução de emissões, fatores que impactam diretamente a estrutura de custos e o planejamento de capital das empresas.

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