
A integração de RFID, inteligência artificial e ferramentas de gestão em tempo real em um hub tecnológico próprio elevou em 80% a produtividade da operação de armazenagem e distribuição do Grupo Asia Shipping. Desenvolvida pela Hórus Logística, adquirida pelo grupo em 2024, a plataforma acompanha o fluxo desde o lançamento do pedido até a expedição e permite aos clientes consultar estoques, movimentações e indicadores operacionais em tempo real.
Um dos resultados registrados foi a redução do tempo de conferência de cargas, que passou de cerca de duas horas para cinco a dez minutos com o uso de RFID. O inventário, que podia levar de sete a 14 dias, também passou a ser realizado em aproximadamente 30 minutos, dependendo do tamanho e das características da operação.
O hub reúne informações como plano de embarque, ordens de montagem, listas de separação, dimensionais de produtos, histórico de estoque, acompanhamento de pedidos, consolidação de pallets e gestão da entrada e saída de veículos. A plataforma também concentra dados financeiros e operacionais e está integrada ao WMS utilizado nos armazéns.
“Investir em tecnologia própria permite crescer sem perder controle, previsibilidade ou capacidade de resposta. À medida que aumentamos o número de clientes e a complexidade das operações, precisamos garantir que cada nova demanda possa ser absorvida com o mesmo nível de serviço”, afirma Alexandre Pimenta, CEO da Asia Shipping. Segundo o executivo, o hub dá suporte à expansão e à integração entre armazenagem, distribuição e demais etapas conduzidas pelo grupo.
A solução também incorporou um assistente de inteligência artificial capaz de responder, por texto ou comando de voz, a consultas sobre o andamento da operação. Entre as informações disponíveis estão o número de pedidos separados no dia, a quantidade de veículos nas docas e o cumprimento de metas operacionais.
A tecnologia está presente nas unidades de armazenagem e distribuição do grupo e foi desenvolvida para ser replicada em futuros centros sem a necessidade de criação de um novo sistema. Segundo a companhia, a integração das ferramentas permite que uma pessoa realize, no mesmo intervalo de tempo, atividades que anteriormente demandavam até quatro profissionais.
O acesso aos dados em tempo real também permite reduzir o intervalo entre o recebimento e o processamento dos pedidos. De acordo com a empresa, a operação pode realizar separação e expedição no mesmo dia da solicitação, no modelo D0, conforme o horário, o volume e as características de cada pedido.
O RFID é utilizado principalmente nas etapas de expedição e inventário. Segundo Silvio Fernandes, CEO da Hórus Logística, as etiquetas permitem a leitura simultânea dos volumes, reduzindo a necessidade de conferência individual e o risco de divergências entre os produtos separados e aqueles registrados no pedido.
Após a passagem pelo portal de leitura, o carregamento do veículo fica sob responsabilidade da transportadora. Considerando também essa etapa, o tempo médio de permanência dos caminhões na doca caiu de aproximadamente cinco horas para 30 a 40 minutos.
Outra ferramenta implantada é o checklist eletrônico para recebimento, expedição e devolução. O registro reúne dados do motorista e do veículo, placa, condições da carga, fotos, vídeos e assinaturas dos responsáveis. O cliente recebe o documento após o preenchimento e pode consultá-lo por cinco anos por meio do número da nota fiscal. Nas três primeiras semanas de uso, foram gerados 827 checklists.
“Uma operação logística não pode funcionar em segredo para o cliente. Ele precisa saber onde está seu produto, como o pedido está avançando e se o nível de serviço contratado está sendo cumprido”, explica Fernandes. Segundo ele, o acesso às informações e aos registros das movimentações permite acompanhar indicadores, identificar desvios e manter um histórico da operação.
A próxima atualização prevista é a captura automática de imagens durante as conferências, com o objetivo de reduzir mais uma etapa manual.
Paralelamente aos investimentos em tecnologia, o grupo ampliou em 20% a capacidade de armazenagem sem aumentar os atuais 20 mil metros quadrados de área em Santa Catarina. O ganho foi obtido com a verticalização da operação e a instalação de porta-pallets.
A estrutura atende mais de 50 empresas e inclui duas unidades licenciadas pela Anvisa para armazenagem de medicamentos, produtos para saúde, saneantes e cosméticos. A expansão da operação para São Paulo permanece em avaliação, com processos de concorrência em andamento.