
Os investimentos em tecnologia de gestão de transportes ganharam importância estratégica para as empresas na última década, mas a adoção de inteligência artificial (IA) ainda está em estágio inicial na maioria das organizações. É o que aponta a 10ª Pesquisa Anual Global de Benchmark de Gestão de Transportes, realizada pela Descartes Systems Group e pela SAPIO Research, que identificou um aumento de 53% para 78%, entre 2017 e 2026, na proporção de empresas norte-americanas que planejam ampliar os aportes em tecnologia para o setor.
O levantamento também mostra que 85% das organizações pesquisadas consideram o transporte um diferencial competitivo ou de atendimento ao cliente, ante 65% em 2017. O crescimento dos negócios é o principal fator para a adoção de sistemas de gerenciamento de transportes (TMS), citado por 53% dos embarcadores e 48% dos provedores de serviços logísticos (LSPs).
Apesar do avanço dos investimentos, apenas 19% dos embarcadores e 15% dos LSPs afirmam utilizar IA em escala. A maioria ainda está em fase de exploração, projetos-piloto ou implementação parcial. Entre os principais obstáculos para ampliar o uso da tecnologia estão a qualidade dos dados, apontada por 33% dos embarcadores e 45% dos LSPs, e a complexidade de integração, mencionada por 39% e 38%, respectivamente.
“Dez anos de pesquisas de benchmark mostram que a discussão sobre tecnologia para transportes mudou fundamentalmente. As organizações já não precisam ser convencidas de que a tecnologia de transportes gera valor, mas estão cada vez mais concentradas em como maximizar esse valor”, afirma Alan Dunkerley, vice-presidente sênior de Gestão de Produtos da Descartes. Para o executivo, conectar redes de transporte, automatizar processos e garantir dados de qualidade serão fatores importantes para ampliar a aplicação da IA.
Custos e visibilidade
O estudo também identificou expectativas de crescimento para os próximos dois anos. Entre os embarcadores, 79% esperam expansão anual de pelo menos 5%, enquanto, entre os LSPs, o percentual chega a 84%. Nesse cenário, o custo do frete permanece como o principal desafio relacionado ao transporte, citado por 35% dos embarcadores e 25% dos provedores logísticos.
A visibilidade das operações de carga completa (full truckload) também aparece entre os pontos de atenção. O modal foi apontado como aquele que mais necessita de melhorias no acompanhamento em tempo real por 57% dos embarcadores e 43% dos LSPs. Os índices representam aumentos de 14 e 19 pontos percentuais, respectivamente, em relação a 2025.
A adoção de IA e a redução dos custos de frete estão entre as principais prioridades das empresas para os próximos dois anos. Cada uma foi mencionada por 58% e 57% dos entrevistados, respectivamente. Entre os benefícios já observados com a IA, os embarcadores destacam a redução dos custos administrativos e de mão de obra, citada por 55%. Já os LSPs apontam a melhoria dos serviços (53%) e a redução dos custos de frete (46%).
A pesquisa ouviu 600 tomadores de decisão da área de transportes em diferentes países, incluindo 300 nos Estados Unidos e no Canadá. Os participantes foram divididos igualmente entre embarcadores e provedores de serviços logísticos e representaram setores como indústria, distribuição, varejo e operadores 3PL e 4PL.