
A quantidade de MEI-Caminhoneiro cresceu 86.634 CNPJs em 2025, alta de 25%, enquanto o número de vínculos formais de motoristas de caminhão aumentou em 6.536, avanço de 1,22%. Os dados, levantados pelo Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), ligado ao SETCESP, mostram a expansão do trabalho autônomo formalizado no transporte rodoviário de cargas, embora os dois indicadores representem universos distintos.
O levantamento cruzou informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), da Receita Federal e do Registro Nacional de Condutores Habilitados (RENACH). Ao final de 2025, o país tinha 541.588 vínculos formais de motoristas de caminhão, enquanto o estoque de MEI-Caminhoneiro passou de 346.558 CNPJs ativos em 2024 para 433.192.
Durante o ano, foram abertos 143.014 CNPJs na categoria e 56.380 deixaram de estar ativos, resultando no crescimento líquido de 86.634 registros. Considerando o período entre 2023 e 2025, o estoque de MEI-Caminhoneiro acumulou alta de 47,95%.
O crescimento também vem acompanhado de uma taxa relevante de saída. Dos 114.314 CNPJs de MEI-Caminhoneiro abertos em 2024, 90.077 permaneciam ativos um ano depois, uma redução de 21,2%. Para o IPTC, o dado indica um desafio adicional para profissionais que passam a atuar como empreendedores, assumindo responsabilidades relacionadas a custos, tributação, gestão e planejamento.
O presidente do SETCESP, Marcelo Rodrigues, afirma que o avanço do modelo representa uma diversificação nas formas de inserção profissional no setor. Segundo ele, a expansão do trabalho autônomo exige preparação para que o motorista, além da atividade de condução, possa administrar de forma sustentável o próprio negócio.
O estudo ressalta, porém, que não é possível afirmar que os motoristas estejam migrando de empregos com carteira assinada para o modelo de MEI. Os dados da RAIS e da Receita Federal abrangem universos diferentes e não permitem acompanhar individualmente a trajetória dos profissionais. Uma mesma pessoa também pode manter simultaneamente um vínculo formal e um CNPJ ativo.
Para o IPTC, portanto, os números apontam principalmente para a diversificação das formas de inserção profissional no transporte rodoviário de cargas. A coordenadora de Projetos do instituto, Raquel Serini, destaca que a expansão do MEI-Caminhoneiro ocorre em paralelo à manutenção de vínculos formais e traz novos desafios de qualificação e sustentabilidade econômica para empresas e profissionais.