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Grandes eventos colocam a logística à prova e aceleram a adoção de operações inteligentes

Pesquisa global da Zebra Technologies mostra como inteligência artificial, automação e visibilidade em tempo real estão ajudando varejo, indústria e logística a enfrentar picos extremos de demanda sem comprometer a eficiência operacional.
Por Shirley Simão em 2 de julho de 2026 às 17h13
Grandes eventos colocam a logística à prova e aceleram a adoção de operações inteligentes
Grandes eventos esportivos exigem operações altamente sincronizadas em toda a cadeia logística, do fabricante ao consumidor final. (Imagem: Zebra Technologies)
Grandes eventos esportivos exigem operações altamente sincronizadas em toda a cadeia logística, do fabricante ao consumidor final. (Imagem: Zebra Technologies)

A explosão nas vendas de televisores, alimentos, bebidas e artigos esportivos antes e durante grandes competições é apenas a face mais visível de uma engrenagem muito maior. Por trás desse aumento repentino do consumo, varejistas, fabricantes, operadores logísticos e transportadoras precisam responder, praticamente em tempo real, a oscilações de demanda que podem multiplicar os pedidos em poucas horas.

Grandes eventos colocam a logística à prova e aceleram a adoção de operações inteligentes

 

É nesse cenário que tecnologias como inteligência artificial (IA), RFID, visão computacional e computação móvel vêm ganhando espaço para garantir eficiência operacional, reduzir erros e manter a experiência do consumidor mesmo em momentos de forte pressão sobre a cadeia de suprimentos.

"O principal desafio está na volatilidade da demanda", afirmou Denis Carvalho, vice-presidente interino e gerente-geral da Zebra Technologies no Brasil, durante encontro com jornalistas realizado em São Paulo. Segundo ele, grandes eventos funcionam como verdadeiros testes de estresse para toda a cadeia logística, exigindo planejamento, sincronização e capacidade de resposta muito acima da operação cotidiana.

A apresentação teve como base um estudo global desenvolvido pela Zebra em parceria com a Oxford Economics, que ouviu mais de mil executivos dos setores de varejo, manufatura e logística em 12 países para entender como as empresas estão se preparando para lidar com cenários de alta volatilidade da demanda.

A demanda não cresce de forma linear

Grandes eventos colocam a logística à prova e aceleram a adoção de operações inteligentes
Divulgação: Zebra Technologies

 

Ao contrário do que se imagina, o maior desafio não está apenas no aumento das vendas, mas na velocidade com que o comportamento do consumidor muda ao longo de um grande evento.

Semanas antes do início da competição, cresce a procura por televisores, eletroeletrônicos, alimentos, bebidas e produtos voltados ao entretenimento doméstico. Com a abertura dos jogos surgem as compras de última hora, feitas poucas horas antes das partidas. À medida que a competição avança, novas vitórias e classificações impulsionam o consumo de artigos esportivos e produtos licenciados. Encerrado o evento, entram em cena as trocas, devoluções e toda a operação de logística reversa.

"O consumidor não espera. Se ele chega à loja e encontra filas ou não encontra o produto que procura, simplesmente compra em outro lugar", resumiu Carvalho.

Segundo dados apresentados pela empresa, aproximadamente 59% do comportamento de compra nesse período é omnichannel — o consumidor pesquisa no celular, verifica disponibilidade em loja, compra online, retira presencialmente ou solicita entrega em casa. Em determinados momentos, as operações de comércio eletrônico podem registrar picos superiores a 250% na demanda.

 

Quando vender bem não é suficiente

Se para o consumidor a compra acontece em poucos cliques, para as empresas a realidade é bem diferente.

Disponibilidade de estoque, separação de pedidos, abastecimento das lojas, expedição, transporte, entregas de última milha e logística reversa precisam funcionar de forma praticamente sincronizada.

"O desafio não termina quando acaba o evento. As empresas precisam estar preparadas também para as devoluções e trocas. Se a logística reversa não funcionar bem, ela pode se transformar em prejuízo", destacou o executivo.

Essa necessidade de sincronização explica por que eficiência operacional passou a ser um dos principais fatores de competitividade para empresas que atuam em mercados de grande volume.

 

Operações inteligentes unem tecnologia e pessoas

Para enfrentar esse cenário, a Zebra defende o conceito de Operações Inteligentes, baseado na integração entre inteligência artificial, automação e talento humano apoiado por informações em tempo real.

Segundo Carvalho, tecnologia sozinha não resolve os desafios da operação.

"Os tomadores de decisão precisam de informações para agir rapidamente. É isso que permite transformar um pico de demanda em ganho de eficiência."

Na prática, isso significa automatizar processos repetitivos, ampliar a visibilidade sobre estoques, reduzir falhas na execução e disponibilizar dados em tempo real para quem está na linha de frente da operação.

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Divulgação: Zebra Technologies

 

No varejo, disponibilidade virou diferencial competitivo

A pressão sobre o varejo vai muito além do caixa.

Evitar rupturas de estoque, reduzir filas e localizar rapidamente produtos passaram a ser fatores determinantes para não perder vendas.

Nesse contexto, tecnologias de identificação por radiofrequência (RFID), computadores móveis e sistemas integrados permitem localizar mercadorias em poucos segundos, acelerar inventários e oferecer informações precisas aos colaboradores que atendem o consumidor.

"O funcionário deixa de perder tempo procurando um produto e passa a responder imediatamente ao cliente", explicou Carvalho.

Segundo dados apresentados pela Zebra, varejistas que adotam essas soluções registram aumento de aproximadamente 20% na produtividade das equipes, redução de 22% nos custos operacionais e crescimento da receita.

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Divulgação: Zebra Technologies

 

Produzir mais sem perder qualidade

Na manufatura, o desafio é outro.

Durante períodos de forte demanda, a produção precisa acelerar sem comprometer qualidade, rastreabilidade ou conformidade regulatória.

Para isso, sistemas baseados em visão computacional e inteligência artificial monitoram continuamente as linhas de produção, identificando falhas de fabricação, erros de embalagem, problemas de impressão e outras não conformidades que seriam praticamente impossíveis de detectar manualmente.

Além disso, recursos de rastreabilidade ajudam fabricantes a combater falsificações e localizar rapidamente lotes específicos caso seja necessário realizar recalls ou atender exigências regulatórias.

De acordo com a pesquisa, empresas que ampliam o uso dessas tecnologias conseguem reduzir custos, elevar a produtividade e manter níveis mais elevados de qualidade mesmo sob forte pressão operacional.

Grandes eventos colocam a logística à prova e aceleram a adoção de operações inteligentes
Divulgação: Zebra Technologies

 

Logística assume papel estratégico

Se varejo e indústria dependem da eficiência operacional, transporte e logística acabam se tornando o elo responsável por transformar planejamento em entrega.

Separação de pedidos, conferência, expedição, controle de estoques, roteirização e entregas precisam ocorrer com alto nível de precisão, principalmente quando milhares de pedidos adicionais entram simultaneamente na operação.

"Numa operação desse porte, enviar um produto errado ou atrasar uma entrega significa perda de eficiência e impacto direto na rentabilidade", afirmou Carvalho.

Segundo a pesquisa apresentada pela Zebra, empresas que investem em operações inteligentes alcançam ganhos de até 23% na precisão dos pedidos, aumento superior a 20% na produtividade e melhoria dos indicadores financeiros.

Grandes eventos colocam a logística à prova e aceleram a adoção de operações inteligentes
Divulgação: Zebra Technologies

 

Muito além dos grandes eventos

Embora o estudo tenha utilizado um grande torneio internacional de futebol como pano de fundo para demonstrar esses desafios, a realidade apresentada não se restringe ao esporte.

Mais do que atender a um grande evento esportivo, a discussão apresentada pela Zebra evidencia um movimento que vem se consolidando em diferentes segmentos da economia. Black Friday, Natal, grandes shows, festivais e campanhas promocionais impõem desafios semelhantes à cadeia de suprimentos. Nesse cenário, operações inteligentes deixam de ser um diferencial tecnológico para se tornar requisito de competitividade. Para empresas de logística, transporte, indústria e varejo, a capacidade de antecipar demandas, tomar decisões baseadas em dados e manter a operação funcionando sem interrupções passa a ser um fator determinante para preservar margens, atender melhor o consumidor e sustentar o crescimento.

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