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70% dos postos brasileiros relatam dificuldade na compra ou entrega de combustível, revela pesquisa

Levantamento da Edenred Mobilidade consultou representantes de redes que controlam 585 postos no Brasil
Por Redação em 30 de abril de 2026 às 8h52
70% dos postos brasileiros relatam dificuldade na compra ou entrega de combustível, revela pesquisa
Foto: Freepik
Foto: Freepik

A alta recente no preço do diesel, impulsionada por tensões geopolíticas entre EUA e Irã, já tem impactos diretos em postos de combustíveis de todo o Brasil. Um levantamento da Edenred Mobilidade mostra que 70% das redes de postos já sentiram algum tipo de restrição temporária na compra de combustível.

Além do aumento nos preços, os postos enfrentam mais dificuldade para garantir previsibilidade na reposição dos estoques. A empresa de mobilidade, representada no Brasil pelas marcas Ticket Log, Repom, PagBem e Taggy, consultou representantes de 37 redes, que juntas controlam 585 postos em todo o país.

 

Impacto nos preços

O IPTL, índice de preços da Edenred Ticket Log, revela o tamanho do impacto nas bombas dos postos brasileiros: o preço médio do diesel comum acumulou alta de 21,75% entre os últimos dias de fevereiro e o mês de março, saindo de R$ 6,25 para R$ 7,61 por litro. O período avaliado foi marcado pela escalada das tensões no Oriente Médio.

O diesel S-10 teve alta ainda maior, de 23,76%, passando de R$ 6,23 para R$ 7,71. Na mesma comparação, a gasolina avançou 7,45%, de R$ 6,44 para R$ 6,92, enquanto o etanol subiu 2,73%, passando de R$ 4,76 para R$ 4,89.

 

Dificuldade na reposição de estoque

De acordo com a pesquisa, o principal desafio das administradoras dos postos é garantir a disponibilidade dos combustíveis. Dentre os entrevistados, 70% apontam a previsibilidade da reposição como a maior dificuldade do momento. Outros 19% afirmam que o principal problema é gerenciar o fluxo de caixa para preencher os tanques, enquanto 11% citam a competitividade de preços com os postos da região.

No caso do diesel, combustível mais usado no transporte de cargas, o cenário é ainda mais sensível. Enquanto a gasolina e o etanol possuem oferta interna mais alta, cerca de 25% do diesel consumido no país vem do exterior. A dependência de importações torna o combustível mais vulnerável a oscilações internacionais, como alta do petróleo, frete, câmbio e tensões geopolíticas.

 

Pressão na cadeia logística

De acordo com Vinicios Fernandes, diretor da Edenred Frete, o cenário atual pressiona toda a cadeia e exige mais planejamento de todo o mercado. "O aumento do diesel impacta diretamente a dinâmica do mercado. Não estamos falando de um cenário de desabastecimento, mas de restrições pontuais, atrasos e limitações na reposição dos estoques, o que exige maior capacidade de adaptação de postos, empresas e do próprio consumidor. Garantir disponibilidade passa a ser tão importante quanto manter preços competitivos", explica.

A alta dos preços também já começa a impactar no comportamento dos consumidores. O levantamento mostra que 57% das redes perceberam aumento nas vendas de etanol nas últimas semanas. 

Para a Edenred, embora ainda não seja possível afirmar que houve uma mudança estrutural, o cenário recente ampliou a vantagem de custo do etanol em relação à gasolina. O biocombustível registrou uma alta mais moderada no período, ganhando competitividade em relação aos derivados do petróleo.

"Quando há uma disparada nos combustíveis fósseis, especialmente no diesel e na gasolina, o etanol passa a ganhar espaço em várias regiões. Isso não significa necessariamente uma mudança definitiva de hábito, mas mostra que o consumidor está mais atento ao custo-benefício e mais aberto a alternativas com menor impacto ambiental", afirma Vinicios Fernandes.

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