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Do armazém ao PDV: a nova era da logística orientada a resultados

Por Fernando Passos em 27 de maio de 2026 às 13h38
Fernando Passos
Fernando Passos, CEO da Mundial Logistics

Durante décadas, a logística foi tratada pelas empresas como uma atividade operacional, focada basicamente em armazenagem, transporte e entrega de produtos. Hoje, porém, essa lógica já não acompanha a complexidade do mercado. Em um cenário marcado pela expansão do e-commerce, consumidores mais exigentes, pressão por eficiência e integração entre canais físicos e digitais, a logística passou a ocupar uma posição estratégica dentro das organizações, tornando-se diretamente ligada à competitividade, experiência do consumidor e geração de resultados.

Esse movimento já aparece de forma clara nos números do setor. Segundo a Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), o mercado brasileiro de operadores logísticos reúne mais de 1,3 mil empresas, emprega cerca de 2,3 milhões de pessoas e representa quase 2% do PIB nacional. Além disso, os operadores logísticos respondem por aproximadamente 16% da receita do mercado logístico brasileiro, consolidando o segmento como peça-chave na estratégia das empresas.

As projeções reforçam ainda mais essa transformação. A expectativa da ABOL é que o setor cresça cerca de 23% até 2029, impulsionado principalmente pelo avanço do varejo omnichannel, automação, inteligência artificial e operações orientadas por dados. A necessidade de operações mais rápidas, integradas e inteligentes fez com que a logística deixasse de atuar apenas no deslocamento físico de mercadorias para assumir papel central na performance comercial das marcas.

Hoje, disponibilidade de produto, velocidade de abastecimento, rastreabilidade e eficiência no ponto de venda impactam diretamente vendas, fidelização e participação de mercado. No varejo, por exemplo, o consumidor não diferencia mais os canais físico e digital, ele espera uma jornada integrada, com disponibilidade imediata, rapidez e experiência consistente. Para responder a esse novo comportamento, as operações logísticas precisaram evoluir rapidamente, incorporando tecnologia, analytics e inteligência operacional em praticamente toda a cadeia.

A própria atuação dos operadores logísticos mudou significativamente nos últimos anos. Se antes o foco estava concentrado em transporte e armazenagem, hoje o setor oferece uma estrutura muito mais integrada de serviços. Segundo levantamento, 64% dos operadores logísticos ampliaram recentemente seus portfólios, refletindo uma mudança estrutural no perfil do segmento.

Entre os serviços mais presentes atualmente estão transporte rodoviário fechado (92%), armazém geral (84%), cross docking (83%) e transporte fracionado (81%). Também ganham força operações mais sofisticadas, como controle de estoques (68%) e serviços de picking & packing (66%), demonstrando que a logística passou a atuar de maneira cada vez mais conectada à estratégia comercial dos clientes.

Essa transformação é ainda mais relevante em operações relacionadas ao trade marketing e à logística promocional. Campanhas sazonais, ativações de marca e ações de sell out exigem sincronização precisa entre indústria, distribuição e execução no PDV. Qualquer falha de abastecimento ou atraso operacional representa perda direta de receita e impacto imediato na experiência do consumidor.

Nesse novo contexto, a logística promocional passou a conectar toda a jornada comercial, da armazenagem ao ponto de venda, integrando abastecimento, transporte, execução em loja e inteligência operacional em uma estrutura única. Mais do que movimentar produtos, o operador logístico passou a gerar visibilidade, previsibilidade e apoio estratégico para decisões de negócio.

Ao mesmo tempo, o diferencial competitivo do setor deixou de estar apenas na infraestrutura física. Ter centros de distribuição, frota própria ou capilaridade nacional já não é suficiente isoladamente. O mercado passou a exigir rastreabilidade, monitoramento em tempo real, capacidade analítica e operações orientadas por inteligência de dados.

A tecnologia acelerou definitivamente essa mudança. Soluções baseadas em inteligência artificial, automação e analytics permitem antecipar riscos, reduzir rupturas, identificar padrões de consumo e otimizar operações com muito mais precisão. O dado operacional deixou de ser apenas histórico e passou a orientar decisões comerciais e estratégias de crescimento.

Outro indicador importante da força do setor é a geração de empregos. Somente em 2025 os operadores logísticos contrataram mais de 26 mil profissionais, principalmente em áreas ligadas à armazenagem, logística interna e operações voltadas ao e-commerce.

Toda essa transformação reforça um novo posicionamento para o setor. A logística contemporânea não será reconhecida apenas pela capacidade de entregar produtos dentro do prazo. Ela será valorizada pela capacidade de gerar inteligência, integrar operações, reduzir perdas e impulsionar resultados comerciais. O operador logístico deixa de ser apenas um executor operacional para assumir um papel cada vez mais estratégico no crescimento e na competitividade das empresas.

 

* Fernando Passos é CEO da Mundial Logistics, empresa com soluções de logística promocional, healthcare e execução no ponto de venda

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