
O setor de logística acompanha de perto as dinâmicas gerada pela Copa do Mundo, que acontece de 11 de junho a 19 de julho entre Estados, Canadá e México. Enquanto a rotina dos brasileiros ganha uma nova configuração, impulsionada pela expectativa e pelo calendário dos jogos, os operadores logísticos também precisam de planejamento especial para manter a eficiência dos processos.
Para a Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), apesar das partidas ocorrerem exclusivamente nos Estados Unidos, México e Canadá, o evento ainda é uma oportunidade de aprendizado sobre resiliência das operações diante de uma data atípica.
Copa do Mundo influencia programação dos operadores logísticos
Uma pesquisa da entidade com seus associados apontou que megaeventos globais influenciam diretamente a programação das atividades dos operadores no Brasil. Para 60% dos respondentes, no caso da Copa, essa influência se traduz na necessidade de antecipação operacional e revisão de processos, o que a associação trata como um sinal de maturidade do setor, que reconhece nesses momentos uma chance para aprimorar a gestão.
Outros 40% destacam o modal aéreo como o mais sensível às oscilações geradas pelo campeonato. A avaliação reflete uma característica estrutural do setor: parte relevante da carga aérea é transportada nos porões de aeronaves de passageiros. Dessa forma, alterações na demanda por viagens, remanejamentos de aeronaves e mudanças de malha durante grandes eventos internacionais podem impactar diretamente a disponibilidade de capacidade para mercadorias, exigindo planejamento antecipado dos operadores.
Gargalos no transporte, atrasos e controle de carga preocupam empresas
O levantamento da associação também mapeou os principais pontos de atenção: todos os entrevistados apontaram congestionamentos em portos e aeroportos como algo a ser considerado no período. A necessidade de maior segurança e controle de carga é citada por 40% dos participantes.
No entanto, os reflexos mencionados não representam um obstáculo. O consenso indica que o mercado tem clareza sobre os gargalos, condição essencial para transformar possíveis riscos em estratégia.
Os operadores mencionaram ainda, como pontos de atenção, possíveis alterações e atrasos nas rotas marítimas; importância de uma coordenação eficiente das entregas e gestão de equipes nos dias de jogo, além da reorganização das escalas de trabalho.
Ao mesmo tempo, uma das respostas enfatizou a dupla dimensão que a competição esportiva representa: oportunidade de crescimento de receita, desafio relevante na execução operacional e controle de custos. Não à toa, 40% do grupo já trabalha na estruturação de rotas alternativas.
Setores com demanda aquecida
Entre os nichos que costumam ser campeões de vendas durante o torneio, estão: alimentos e bebidas, televisores, equipamentos de áudio e eletrônicos, e moda esportiva liderando o topo da lista das empresas; na sequência, produtos promocionais, merchandising e materiais para eventos são citados por grande parte dos operadores logísticos; seguidos de combustíveis e insumos energéticos, sinalizando uma cadeia de abastecimento ampla e diversificada, com oportunidades em múltiplas frentes.
Na véspera da estreia do Brasil, as vendas online de produtos ligados à seleção cresceram mais de 20 vezes em comparação com o mesmo período do ano anterior.
As informações estão alinhadas às previsões de fluxo no varejo, que deve chegar a R$ 4,32 bilhões, alta de 6,5% em relação à última Copa, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Desse total, hipermercados e supermercados devem concentrar quase 70% das vendas, alcançando R$ 3,97 bilhões. Em seguida, aparece vestuário e acessórios, com faturamento aproximado de R$ 803,7 milhões. Logo após, estão os artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui lojas especializadas e venda de eletroeletrônicos menores, com R$ 262,6 milhões, informática e comunicação, com R$ 198,5 milhões, e móveis e eletrodomésticos, com R$ 80,2 milhões.
"Grandes eventos funcionam como catalisadores de adaptação e transformação para a logística. Eles aceleram a adoção de práticas alternativas e criativas, fortalecem a integração entre os diferentes elos da cadeia de suprimentos e abastecimento e deixam aprendizados que continuam gerando valor mesmo após o encerramento das competições", avalia a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha.