
Associações e empresas ligadas à logística portuária publicaram nesta segunda-feira (10/08) uma nota conjunta manifestando preocupação com as restrições de navegabilidade no Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes, que opera com margem de segurança de 30 centímetros na profundidade operacional após problemas recorrentes com assoreamento.
O documento foi assinado pela Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), pela Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (ABRATEC), pela Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), pela Centronave e pela Federação Nacional das Operações Portuárias (FENOP), entidades representativas do setor portuário e da cadeia logística nacional.
A carta foi destinada à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), à Secretaria Nacional de Portos (SNP) e à Companhia de Docas do Estado da Bahia (Codeba), que administra os portos de Santa Catarina. No documento, são destacadas limitações de profundidade do canal de acesso, além das restrições operacionais recentemente determinadas pela Autoridade Marítima. De acordo com as entidades, as limitações vêm comprometendo a segurança das operações, a previsibilidade logística e a competitividade do comércio exterior brasileiro.
Problemas na dragagem afetam operações no complexo portuário
O canal de acesso aos portos de Itajaí e Navegantes enfrenta problemas recorrentes de assoreamento por falta de manutenção regular, devido a sucessivas trocas de gestão, contratos temporários de curto prazo e divergências sobre sua concessão.
Em 2025, o acesso ao Rio Itajaí-Açu acumulou sedimentos e passou a operar com cerca de 70 centímetros a menos do que a profundidade ideal exigida pela Marinha do Brasil, gerando restrições para a navegação de navios de carga de grande porte.
O serviço de dragagem foi interrompido no início do ano e retomado no começo de abril por meio de uma contratação emergencial pela Codeba, nova administradora do complexo. Mesmo com a retomada, o atraso no envio de levantamentos batimétricos atualizados fez com que a Capitania dos Portos determinasse uma folga adicional de segurança de 30 centímetros abaixo da quilha dos navios. Além disso, chuvas severas no Vale do Itajaí continuam aumentando o fluxo de detritos e a correnteza, fechando a barra temporariamente em episódios recentes.
Entidades pressionam por soluções
"As limitações de profundidade do canal de acesso, somadas às restrições operacionais recentemente determinadas pela Autoridade Marítima, reforçam a necessidade de monitoramento contínuo das condições de navegabilidade, manutenção das profundidades de projeto e ampla transparência na divulgação das informações operacionais", afirma a carta.
A nota conjunta defende a adoção imediata de medidas para restabelecer a plena capacidade operacional do complexo, reiterando que a continuidade do processo de concessão do canal de acesso é essencial para viabilizar investimentos estruturantes, como o aprofundamento do canal, a ampliação da bacia de evolução, a retirada do casco do Pallas e a execução do novo molhe de Navegantes.
As associações e empresas envolvidas também solicitaram uma agenda urgente com os órgãos competentes para definir um plano de ação que garanta segurança da navegação, previsibilidade operacional e a competitividade do complexo portuário.