Segunda-feira, 5 de agosto de 2019 - 16h36
Experiência e inovação
Com um vasto conhecimento de mercado adquirido em mais 30 anos de atuação e em algumas transformações ao longo desse percurso, a FTI Logística foca hoje em serviços de ponta a ponta da cadeia e investe em tecnologia para acompanhar a evolução do setor. Confira mais detalhes em nossa entrevista exclusiva com o sócio-diretor da empresa, Sidnei Fantinati
Créditos: Radamés Jr.

Apesar de o nome FTI Logística ser novo, a empresa conta com muitos anos de história, correto? Conte-nos um pouco sobre essa trajetória.

Sidnei Fantinati – Eu e meus dois irmãos ingressamos no mercado da logística em 1986, com a Fantinati Transportes, prestando serviços de transporte de carga. Algum tempo depois nós percebemos que os grandes embarcadores procuravam por uma oferta mais completa de serviços, então em 2006 nós nos unimos com outras quatro transportadoras e criamos um operador logístico chamado Mestra Log, justamente com o objetivo de agregar o serviço de armazenagem ao transporte que nós já realizávamos. Alguns anos depois houve uma fusão entre essas empresas e, em 2010, nasceu a Trafti Logística. A intenção era crescer com a sinergia entre as operações de cada uma das empresas que faziam parte da sociedade, reduzindo custos e fazendo com que a nova companhia fosse ainda maior.

Infelizmente em 2014 o mercado apresentou uma queda muito grande e nesse momento mais complicado nós, da Fantinati, decidimos que ficaríamos com a companhia novamente. Então fizemos um acordo com os demais sócios e adquirimos suas ações. Nesse momento a empresa deixou de se chamar Trafti e foi batizada de FTI Logística. A Trafti era formada por cinco empresas sócias, e hoje nós somos três sócios na FTI Logística, justamente aqueles originários da Fantinati Transportes.

Como se configura a estrutura física da empresa?

Fantinati – Nós atuamos em uma área de 120 mil m² em São Bernardo do Campo (SP), com 35 mil m² de área construída, sendo cerca de 27 mil m² em galpões destinados à armazenagem. A FTI conta também com filiais localizadas nos aeroportos de Guarulhos (SP) e Viracopos, em Campinas (SP), além de Santos (SP) e Rio Claro (SP), esta última oriunda da Fantinati Transportes e mais dedicada a operações de cross-docking. Um dos nossos maiores clientes, a Whirlpool, está situado lá, então nós continuamos atuando nessa unidade com transferências mais rápidas de carga.

E na sede de São Bernardo do Campo nós inauguramos, no ano retrasado, nosso pátio de contêineres. Isso se deve ao ingresso da empresa no mercado de cabotagem, em um contrato com a Mercosul Line. E hoje, além dela, nós trabalhamos com a Log-In também. Como a maioria dos clientes está localizada em São Paulo, contar com esse pulmão para contêineres facilita muito as operações, para evitar viagens mais longas até o porto.

Esse é um setor que tem crescido e que precisa se desenvolver ainda mais no Brasil. Como você vê a cabotagem atualmente?

Fantinati – Com essa experiência de dois anos de operação eu posso dizer que a cabotagem é o futuro. Com os valores de frete praticados hoje em dia, fica muito mais barato utilizar esse modal para realizar a transferência de cargas entre estados, quando possível. A tendência é que as operações por cabotagem cresçam muito, como já vem acontecendo nos últimos anos, inclusive.

Algumas empresas que atuam com transporte rodoviário enxergam a cabotagem como um concorrente. Qual sua opinião sobre isso?

Fantinati – Esse não pode ser o pensamento. As empresas de cabotagem operam com um serviço porto a porto. A ponta da operação, do porto ao cliente e do cliente ao porto, sempre vai ser feita utilizando o transporte rodoviário. Essa intermodalidade precisa ser vista como uma oportunidade, e é isso que a FTI faz, oferecendo um ponto estratégico com o pátio para contêineres e realizando esse transporte.

Qual o tamanho da frota de transporte da FTI?

Fantinati – Hoje nós temos aproximadamente 360 equipamentos próprios, além de cerca de 250 agregados.

Quais são as principais cargas com as quais vocês trabalham?

Fantinati – Nas operações aduaneiras, com cargas oriundas dos portos e aeroportos – além da cabotagem – nós transportamos os mais diversos produtos. Mas mesmo considerando as demais operações de transporte, nossa atuação é bastante diversificada. Lidamos com remédios e correlatos, produtos para saúde pessoal, peças para o setor automotivo, realizamos milk run de insumos para abastecimento de produção de linha branca, entre outros. Isso falando especificamente das atividades de transporte.

Para alguns clientes nós realizamos a operação de ponta a ponta, retirando o produto importado ou fabricado nacionalmente no ponto de origem, armazenando na nossa estrutura e realizando todo o controle de estoque e posteriormente levando para a distribuição, com a entrega diretamente no cliente. A Labonathus é um exemplo de cliente para o qual realizamos a operação completa, com insumos alimentícios importados que têm como destino a indústria nacional. Temos também a MWM, com peças e equipamentos, a Air Liquide, com equipamentos hospitalares – inclusive com uma filial montada dentro da nossa estrutura – entre outros.

Vocês trabalham com cargas de temperatura controlada?

Fantinati – Nós movimentamos muitos produtos que demandam refrigeração, como medicamentos. No armazém nós temos uma área climatizada, justamente para alguns tipos de medicamentos e também para algumas cargas do setor alimentício.

Quais são as cargas mais representativas nas operações da FTI?

Fantinati – Como eu disse, nossa atuação é bastante diversificada. O que eu posso afirmar é que os contêineres de cabotagem hoje têm um peso muito grande dentro dos nossos negócios. Nós consideramos esse um setor bastante estratégico e com muito potencial de crescimento.

Quantos colaboradores vocês têm ao todo?

Fantinati – São quase 280 funcionários diretos atuando na FTI Logística, incluindo motoristas, ajudantes, colaboradores nos armazéns, área administrativa etc.

Como você vê a mão de obra em logística no Brasil?

Fantinati – Esse é um ponto interessante. Todos sabem que o país está atravessando um momento de muito desemprego, mas nós temos uma dificuldade muito grande para conseguir mão de obra qualificada. O mercado da logística é bastante complexo, até mesmo devido às exigências das seguradoras, por exemplo, afinal quando falamos de carga nós estamos lidando sempre com os bens dos nossos clientes, e todas essas exigências dificultam muito a contratação. É bastante complicado encontrar profissionais realmente qualificados para trabalhar nesse setor. Nós não temos um turnover muito grande, mas sempre há alguma dificuldade para repor colaboradores.

Quais você diria que são os maiores desafios para quem trabalha com logística no Brasil?

Fantinati – Hoje um grande desafio do setor – e que consiste em uma das principais diretrizes dentro da FTI –, é se adequar às inovações tecnológicas que o mercado atual demanda. A indústria 4.0 chegou trazendo informação, trazendo automação, e a logística precisa acompanhar essa transformação para continuar atendendo a indústria da melhor maneira possível. Nós temos a missão aqui na FTI de elevar cada vez mais a empresa no aspecto tecnológico.

Um bom exemplo disso é que hoje o cliente precisa saber onde a carga dele está, mas não mais ligando para a empresa ou trocando e-mails. Ele precisa receber essa informação em tempo real, e até mesmo diretamente no sistema dele. Por isso nós estamos investindo constantemente em tecnologia.

A verdade é que, quando falamos de tecnologia, algumas partes do mundo estão muito mais avançadas que o Brasil em termos de operação e gestão logística de uma maneira geral. Em outros países nós já vemos empresas usando drones e realidade aumentada, por exemplo, e por aqui não. O Brasil costuma adotar as novidades tecnológicas mais tarde, mas nós estamos de olho nisso tudo. Claro, nós contamos com sistemas ERP, WMS e TMS muito modernos, da Datapar, sistema de gerenciamento de riscos da Opentech, utilizamos empilhadeiras elétricas etc., mas estamos mirando no momento em proporcionar uma visibilidade total da carga para o cliente de maneira muito mais tecnológica.

E como eu disse, o cliente precisa conseguir acompanhar a carga pelo próprio sistema, então contar com uma parceira como a Opentech é muito importante, não só pelo gerenciamento de risco, mas também pelas tecnologias de rastreamento e de integração sistêmica com nossos clientes.

Sidnei Fantinati e seu irmão e também sócio-diretor da FTI Logística, Roberto Fantianti
Sidnei Fantinati e seu irmão e também sócio-diretor da FTI Logística, Roberto Fantinati

A FTI está lançando um aplicativo, certo?

Fantinati – Sim. Essa é a nossa grande novidade. É um aplicativo que vai proporcionar diversas coisas, e entre as principais delas está o fato de ele funcionar como torre de controle, de maneira que todas as áreas da empresa podem saber tudo o que está acontecendo na operação naquele exato momento.

Então o SAC, por exemplo, tem acesso a dados que mostram se uma carga atrasou, digamos. Ou melhor ainda: se ela vai se atrasar. Hoje a questão é ser preditivo, e não reativo. Quando se abastece a linha de produção de um cliente, por exemplo, é preciso fornecer informações de antemão. E é claro que o cliente também vai poder acessar esses dados, utilizando um login e uma senha próprios. Ele vai entrar no aplicativo e terá acesso ao status de suas viagens e da sua carga.

E existe outro aspecto muito interessante no aplicativo, que é o fato de nós ofertarmos cargas por meio dele para agregados cadastrados. Há uma tendência muito grande no mercado de os próprios aplicativos virarem transportadoras, e nós, que temos todo o know-how e os ativos da operação, precisamos estar inseridos nisso. Nós estamos realizando esse trabalho em conjunto com a startup dLieve, e o aplicativo está sendo implantado já neste mês de agosto.

Como a FTI atravessou esses últimos anos de crise econômica no país?

Fantinati – Não foi fácil. Os volumes dos clientes foram caindo, e nós tivemos que enxugar a empresa para equilibrar as contas. A atividade que mais sofreu foi a de armazenagem, porque quando a crise começou os clientes não queriam mais fazer estoque. Mas é claro que o transporte também caiu muito. Nós tivemos uma redução de quase 50% no faturamento, e a grande questão é que a adequação a essa nova realidade demanda tempo, não acontece de uma hora pra outra.

Mas no ano passado as coisas começaram a melhorar, especialmente devido à diversificação dos negócios, como é o caso das operações com o segmento de cabotagem. E nós passamos a contar com novos profissionais, que chegaram para ajustar alguns processos, inclusive com esse foco especial em tecnologia e também em marketing. Os resultados têm sido bastante positivos e nós estamos muito otimistas, no caminho certo e com boas perspectivas. Neste ano nós já estamos colhendo ótimos resultados e a empresa já entrou em uma curva ascendente.