Quarta-feira, 27 de maio de 2020 - 10h16
De cara nova
A Quality Logística agora se chama Loger e, com a nova identidade, que traz uma identificação ainda maior com a figura do operador logístico por excelência, busca se desenvolver ainda mais nos mercados em que atua, com foco na terceirização das operações logísticas. Em uma entrevista exclusiva à Tecnologística, Luciano Gimenez, CEO do Grupo Quality, conta todos os detalhes do novo momento da empresa
Créditos: Radamés Jr.

A grande novidade é a nova marca, mas isso com certeza envolve muito mais do que uma simples mudança de nome, certo? Conte-nos mais a respeito desse processo.

Luciano Gimenez – A companhia carrega uma característica muito forte de fornecimento de mão de obra, com os serviços de facilities e até mesmo nas operações logísticas, focando nas atividades de movimentação e armazenagem. Essa é a origem da Quality, que já conta com 15 anos de mercado.

Mas aliado ao crescimento da empresa, ao longo dos últimos anos nós vínhamos fazendo um trabalho focado no posicionamento como um verdadeiro operador logístico, com responsabilidade total sobre os processos logísticos, sofisticando as operações, assumindo mais responsabilidades, montando armazéns próprios, realizando a armazenagem e a distribuição a partir das nossas estruturas também, além das atividades dentro de clientes, no caso de operações mais complexas em sistemas produtivos, por exemplo, que envolvem o recebimento de matéria-prima, o abastecimento da produção, a administração do produto acabado e a distribuição. Então as atividades realizadas, os processos e os níveis de serviço foram adquirindo uma complexidade maior com o tempo.

E é claro que com todo esse crescimento, é necessário estruturar também a parte interna da organização, no que tange às áreas administrativas, como financeira, contábil, de compras, de tecnologia da informação. Então, no ano passado, nós tomamos a decisão de montar uma estrutura que realmente contasse com um plano de governança que transcendesse até mesmo a minha própria posição como CEO da organização, estabelecendo condições para que ela apresente uma continuidade, sendo gerida muito mais por processos do que por pessoas.

Nos últimos doze meses nós estávamos desenhando tudo isso e então chegamos em um ponto satisfatório, tanto em relação ao mercado quanto internamente. E já que nós tínhamos atingido esse marco, decidimos aproveitar o momento pra promover também uma reestruturação de imagem e de posicionamento da marca, então passamos a nos chamar Loger.

Novo logotipo da Loger Logística

Como se deu a escolha do novo nome?

Gimenez – A verdade é que o nome Quality nasceu lá no começo da companhia, quando o trabalho era muito mais ligado ao fornecimento de mão de obra, como eu disse, e a intenção era passar justamente essa ideia de mão de obra de qualidade. Mas agora, com a distinção muito mais clara entre Quality Facilities e Quality Logística, com esse viés muito mais focado, nós entendemos que era a hora posicionar a empresa de logística no mercado de uma maneira que fizesse muito mais sentido para a atividade que ela executa. E aí surgiu a ideia da palavra Loger, alojar em francês, que gerou a palavra "logistique", justamente a origem do termo "logística" em português.

Na verdade, nos chamou muito a atenção o fato de ainda não haver um operador logístico no Brasil com esse nome. E o que nós queríamos era passar claramente a mensagem da nossa atividade, pra que quem veja nosso nome e nosso logotipo saiba o que a gente faz, saiba que somos uma empresa de logística, e não uma empresa que tem a logística somente como mais uma de suas atividades. Esse é o nosso principal negócio.

Confira o vídeo desta entrevista acessando o Canal Tecnologística

Como fica estruturado o Grupo Quality com essas mudanças?

Gimenez – O Grupo Quality é a holding, proprietária das empresas Loger e Quality Facilities. Essa decisão de manter uma holding aconteceu até mesmo porque pode acontecer de, no futuro, aparecerem oportunidades no mercado para inserirmos novos negócios e outras empresas dentro dessa estrutura. Se nós sentirmos que esse é um movimento que faz sentido para a nossa organização, já estamos preparados pra isso.

Eu sou então o proprietário do grupo, com a função de CEO, juntamente com a área de recursos humanos, e abaixo de mim eu tenho um COO, que cuida de toda a parte operacional, comercial e de engenharia, e um CFO, responsável pela área administrativa, incluindo controladoria, contabilidade, financeiro, tecnologia da informação e compras. E essas funções na holding são as mesmas funções dentro de cada um dos negócios.  Eu, como CEO, estou à frente tanto da Loger quanto da Quality Facilities, e assim por diante com os demais profissionais. A separação começa quando falamos da área operacional, pois as estruturas são muito mais dedicadas a cada tipo de negócio, com funções que não se cruzam nas atividades de facilities e de logística.

Créditos: Divulgação

Qual a abrangência dos serviços logísticos oferecidos hoje pela Loger?

Gimenez – Nós atuamos dentro da cadeia logística como um todo. Essa busca por assumir a figura e se intitular um operador logístico consistia exatamente em entender quais são as necessidades do supply chain e integrar nossos serviços nessa cadeia. Nossa origem está no in house, que é a terceirização das operações logísticas dentro das indústrias. Esse é o nosso core business e provavelmente vai continuar assim por muito tempo, porque esse é um mercado que ainda apresenta muito potencial de crescimento.

Além dessas operações in house na indústria, nós realizamos operações in house dentro de armazéns de terceiros. Então eu posso assumir não somente a cadeia produtiva do meu cliente como também o armazém. E nós temos também nossos próprios armazéns, alguns multiclientes, ou seja, sem contratos de exclusividade na estrutura, e também dedicados.

Onde estão situados os armazéns próprios da Loger?

Gimenez – Nós temos estruturas em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, e no Embú, em Jundiaí - onde fica a sede da empresa - e em Itupeva, os três em São Paulo.

A presença da empresa com as operações in house vai além desses estados?

Gimenez – A concentração está em São Paulo, tanto no interior quanto na capital, o que é natural. E existe ainda muito potencial para crescer no estado. Mas falando sobre o nosso projeto de expansão, os planos vão muito além de São Paulo e abrangem todo o território nacional. Muitas vezes nós nem precisamos prospectar essas operações, pois são as atividades dos próprios clientes que acabam nos levando.

Voltando aos serviços oferecidos, conte-nos sobre a atividade de transporte.

Gimenez – No transporte nós realizamos toda a gestão das transportadoras que prestam o serviço. Nós entendemos que dentro das cadeias em que atuamos não havia sentido aplicarmos recursos próprios para prestarmos nós mesmos o transporte, com frota própria, por exemplo. Tendo controle total e gerenciando o transporte nós já somos capazes de abranger todo o processo logístico, tudo que está sob o guarda-chuva do supply chain dos nossos clientes, e oferecer tudo o que eles precisam. Em muitos casos nós até mesmo participamos do bid de transporte do cliente, para selecionar os prestadores do serviço.

E como o transporte está muito ligado às necessidades de cada cliente, nós gerenciamos essas operações a nível nacional. Se um cliente precisa levar uma carga para o Nordeste, por exemplo, e tem parceiros nessa região, eu administro esses parceiros.

A verdade é que quando você administra o transporte, você deixa de ter limitações geográficas. Onde existir uma empresa transportadora trabalhando, nós podemos atuar. Isso é uma grande vantagem, inclusive, não só por não limitar a empresa, mas porque eu não preciso também forçar meu cliente a usar um recurso meu só pra ele não ficar parado. Pode ser que esse recurso não seja a melhor oportunidade para o cliente naquele momento. Quando você administra terceiros, você busca sempre a melhor oportunidade, muitas vezes até mesmo aliviando o orçamento do cliente, utilizando frete de retorno, por exemplo.

Quais são os principais segmentos que a Loger atende?

Gimenez – Nós atendemos clientes do setor de saneantes, que está muito em alta agora, devido à pandemia do coronavírus, de alimentos, varejo, indústria gráfica, automotiva, química, de higiene pessoal e agronegócio. É uma operação bem distribuída em diversos segmentos da indústria, sem concentração de atuação em um determinado setor. Isso, estrategicamente, faz muito mais sentido. Ficar preso a um certo segmento é muito arriscado, porque você pode sofrer abalos dependendo do momento pelo qual o mercado passa.

Até por isso nós estamos atravessando bem esse momento atual. Alguns clientes apresentaram quedas de faturamento, como dos setores automotivo e químico, mas em contrapartida as áreas de saneantes, alimentos e varejo cresceram. É o caso de um cliente nosso, supermercadista, que nunca vendeu tanto quanto no início dessa história de isolamento social, porque muitas pessoas quiseram estocar comida. Agora essa corrida aos supermercados passou, mas a atividade não apresentou queda. As pessoas continuam consumindo normalmente. No caso dos saneantes, muita gente que nem comprava passou a comprar e usar, então enquanto alguns segmentos apresentam queda, outros são alavancados e, ao final, nossa empresa se mantém saudável.

Quais são as expectativas para os próximos anos?

Gimenez – Nós atuamos em um mercado muito promissor, em especial com as operações in house, como eu já citei. Eu diria que a nossa empresa ainda não é tão conhecida – e mudar isso é justamente um dos motivos da alteração para um nome que tenha mais sentido com aquilo que a gente faz –, mas mesmo assim nós temos um volume muito grande de operações, alcançamos ótimos patamares e estamos crescendo a uma média de 30% em anos normais. No ano passado, mesmo com a crise política, nós crescemos 14%. Neste ano de 2020, antes do efeito Covid-19, nossa expectativa era crescer 40%. É claro que alguns projetos foram travados, mas mesmo assim as perspectivas são boas. Nós devemos atingir um crescimento próximo a 20%.

Essas projeções se baseiam nos setores que estão bem mesmo durante a pandemia?

Gimenez – Pode parecer estranho o que eu vou dizer, mas eu acredito que vai existir oportunidade em todos os setores. Todas as empresas vão passar por um processo de retomada. Mesmo que em alguns casos essa retomada seja tímida, ela vai existir. E existe um ponto importante: muitas das empresas que reduziram seus quadros de colaboradores, vão voltar terceirizando. E isso vai gerar muita oportunidade pra gente. Eu acredito então que nós vamos contar com espaços que até então não existiam e que agora vão surgir.

Créditos: Divulgação

Existe um movimento recente de empresas asset light no mercado logístico, mas ao mesmo tempo grandes operadores investem cada vez mais em centros de distribuição, frota própria etc. Essa visão que você tem de oportunidades na atividade in house já é percebida pelo mercado em geral?

Gimenez – Eu acho que isso é uma coisa muito nossa. O mercado de operadores logísticos até vê isso, mas não sabe lidar tão bem quanto nós sabemos. É claro que eles também estão presentes nessa atividade, mas nós chegamos a um nível de detalhe que eles não chegam, em especial nos processos produtivos, porque a nossa origem é essa. Os serviços de armazenagem e transporte são mais simples, mas estar presente na produção do cliente é mais complicado. Eu mesmo sou formado em engenharia de produção, e fazer a logística de sistemas produtivos se tornou a especialidade da empresa. Nós temos total domínio e conhecimento dessa atividade.

E quais suas expectativas em relação ao Brasil de uma maneira geral?

Gimenez – Na verdade, eu acredito muito no Brasil. Se não acreditasse, eu não teria deixado a vida de executivo de mercado para ter a minha própria empresa. Na minha opinião a economia vai apresentar uma retomada, e com muita força. O momento que estamos atravessando agora, da Covid-19, transcende qualquer outro problema, mas eu sinto que o Brasil consegue se empurrar para cima, independente de questões políticas, econômicas e de má administração.

Nós temos no Brasil um número muito grande de desempregados, que são pessoas com potencial para geração de uma economia mais forte, a partir do momento em que são inseridos no sistema. É diferente de um país com baixos índices de desemprego, mas sem perspectiva de consumo, como acontece com alguns países mais antigos da Europa. Aqui o potencial de consumo é muito forte. Quando as coisas se acalmarem em relação ao coronavírus haverá espaço para darmos um salto, mesmo que a política ainda esteja em um momento complicado.

Fernando Fischer