Quarta-feira, 25 de novembro de 2020 - 15h29
Troca de saberes a serviço da operação logística
Roberto Zampini Junior, vice-presidente do Grupo Imediato e presidente da Optas, desde 2013 divide seu tempo entre a atuação empresarial e líder de entidade representativa do setor. Nesta entrevista, o executivo conta quais são as estratégias para fomentar o debate e colocar em prática ações que contribuam para a construção de um setor logístico mais preparado para enfrentar os desafios

Desde quando você atua na Optas e fale um pouco sobre as funções que já exerceu?

Roberto Zampini Junior – Fui um dos fundadores da entidade em 2013 e desde então exerci diferentes funções. No início, atuei como vice-presidente, juntamente com o presidente na época, Ramon Alcaraz, e em 2017 assumi a presidência da Optas. Acredito que a minha atuação empresarial agrega uma vez que trago a experiência prática e sensibilidade em relação às demandas e tendências do mercado.

Conte um pouco da história da associação.

Zampini – A Optas foi criada com propósito de difundir e apoiar o compartilhamento das melhores práticas e processos de gestão por meio de treinamentos e capacitação dos associados. Além disso, nosso objetivo é representá-los junto aos órgãos governamentais e entidades de classe e auxiliar em transações comerciais estruturadas, buscando ganhos de escala em negociações compartilhadas. Também temos como função disseminar práticas que visem à redução de impactos ambientais e sociais. Atualmente, são 24 empresas associadas.

De que forma você observa o trabalho associativo e qual o papel da organização hoje no mercado?

Zampini – Associações como a Optas são muito importantes, pois podem servir como instrumentos de sustentação para a construção de um setor logístico mais preparado para enfrentar os desafios do mercado. Atualmente, nossos principais objetivos são torná-la um canal de integração entre os associados, tratar dos interesses das empresas que compõe o quadro associativo de forma conjunta, abrir debate sobre questões relevantes do segmento e contribuir para o desenvolvimento do mercado logístico.

E como fomentar este papel?

Zampini – Acredito que por meio do compartilhamento e difusão de melhores práticas de gestão, da capacitação das pessoas envolvidas nos negócios e da realização de compras compartilhadas podemos provocar os participantes da entidade.

Qual o volume de negócios e a representatividade do quadro de associados?

Zampini – O faturamento total das companhias que atuam na Optas hoje chega a R$ 4 bilhões. Com relação a ativos, são mais de 7.500 caminhões e 300 empilhadeiras, operacionalizadas por cerca de 25.000 colaboradores. Vale lembrar que para fazer parte da associação temos como premissa, e é necessário, ser um operador logístico ou transportador com contrato de prestação de serviço dedicado à Ambev.

Hoje, quais as principais pautas abordadas e de que forma debatem internamente esses temas?

Zampini – Gestão, tecnologia, segurança, qualificação das pessoas, produtividade e custos são os assuntos principais que discutimos em reuniões mensais com os associados e também por meio dos comitês que estruturamos na entidade.

E a atuação macroeconômica, mostrando as demandas e exigências, de que forma vocês atuam?

Zampini – A ideia é que tenhamos presença constante junto a entidades representativas do setor, como a Associação Brasileira de Logística (Abralog), Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT), Confederação Nacional do Transporte (CNT) e Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp).

Como a associação observa o mercado e quais os principais desafios?

Zampini – Avaliamos que o setor passa por um momento desafiador, mas ao mesmo tempo apresenta uma série de oportunidades. Os principais desafios sem dúvida são a qualificação da mão de obra e a complexidade da carga tributária.

E para superar estas barreiras, quais as propostas?

Zampini – No caso da qualificação da mão de obra trabalhamos na formação da liderança e também do time operacional por meio de parcerias com entidades como a Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte (Fabet) e Sesc Senat. Já quanto à complexidade da carga tributária atuamos junto aos órgãos governamentais num trabalho em conjunto com outras entidades, como por exemplo, a CNT.

Quanto às tendências do setor logístico, o que você considera que se tornarão realidade?

Zampini – Considero como a maior oportunidade no setor de logística a interatividade pela utilização da tecnologia, o que torna essa estratégia uma tendência para inovação e competitividade. Vivemos um período de transformação no setor em razão da mudança de comportamento do consumidor, cenário que mostra que a tecnologia fará a diferença para garantir o crescimento das empresas de logísticas.

Para manter os associados atualizados a estas novidades, quais ações a Optas realiza?

Zampini – Realizamos reuniões periodicamente e benchmarks com empresas do setor, além de investir em eventos, workshops, palestras e fomentar os debates em grupos, com a troca de e-mails, mensagens em redes associais e a participação em lives. Destaco também a viagem técnica à China, Hong Kong e Dubai.

De que maneira a entidade contribuiu e prestou suporte às empresas associadas num ano atípico como este de 2020?

Zampini – Nosso trabalho consistiu em intensificar a comunicação e orientar as empresas do nosso quadro. Passamos a fazer nossas reuniões mensais via internet e também iniciamos um canal de lives com assuntos de interesse dos associados.

E o que esperar da Optas a partir de agora?

Zampini – De imediato, após pandemia vamos realizar uma visita técnica ao Vale do Silício, nos Estados Unidos. E como uma das principais estratégias, temos o objetivo de promover a formação de CEOs.

Saiba mais sobre a atuação empresarial e os investimentos do Grupo Imediato, companhia em que Roberto Zampini Junior é vice-presidente, acessando o link.

Fábio Penteado