
A Bioenergética Aroeira, a Gasgrid/ZEG Biogás, a Aguetoni Transportes e a VLI iniciaram um fluxo logístico de menor emissão para o transporte de açúcar produzido em Minas Gerais com destino ao Porto de Santos (SP). A operação combina o uso de biometano no transporte rodoviário e a movimentação ferroviária da carga até o terminal portuário.
O projeto utiliza biometano produzido a partir de resíduos da indústria sucroenergética para abastecer os caminhões que transportam o açúcar até o Terminal Integrador de Uberaba, administrado pela VLI. A partir da unidade, a carga segue pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) até o Porto de Santos, de onde é exportada.
A fase piloto, já em andamento, prevê a movimentação de cerca de 12 mil toneladas de açúcar por mês, com possibilidade de ampliação ao longo do segundo semestre. Para 2027, a expectativa dos parceiros é movimentar aproximadamente 200 mil toneladas.
O biometano empregado na operação é produzido a partir de resíduos gerados no processamento da cana-de-açúcar, aproveitados em uma planta desenvolvida pela Bioenergética Aroeira em parceria com a Gasgrid/ZEG Biogás. Após processos de biodigestão e purificação, o combustível renovável é utilizado no trecho rodoviário da operação.
Segundo Eduardo Fioreze, gerente Comercial da Bioenergética Aroeira, a iniciativa integra produção de energia e transporte de cargas. “O diferencial desta iniciativa está no aproveitamento de resíduos gerados pela própria cadeia sucroenergética para a produção de biometano utilizado no transporte da carga”, afirma.
O trecho ferroviário complementa a estratégia de redução das emissões. De acordo com Asley Fonseca Ribeiro, gerente-geral de Inteligência Comercial da VLI, o transporte ferroviário pode emitir até 75% menos CO₂ por tonelada transportada em comparação com o transporte rodoviário realizado por caminhões abastecidos com combustíveis fósseis.
“O trabalho com parceiros permite somar esforços para alcançar resultados ainda mais relevantes, aproveitando a vocação de cada modal e promovendo uma logística de menor carbono para a cadeia do açúcar”, afirma Ribeiro.
Além da substituição parcial de combustíveis fósseis, o projeto busca aplicar os princípios da economia circular ao transformar resíduos da cadeia sucroenergética em combustível para a própria operação logística. A rota também combina os modais rodoviário e ferroviário para o escoamento da produção mineira destinada à exportação.