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Investimento em transporte deve ser o mais baixo em dez anos, aponta estudo

Levantamento do FGV Transporte aponta que seriam necessários aportes de 3% do PIB apenas para manter a infraestrutura atual
Por Redação em 22 de maio de 2019 às 12h05 (atualizado às 12h06)

De acordo com um levantamento realizado pelo FGV Transportes, os investimentos brasileiros na infraestrutura de transporte em 2019 devem consistir em 0,32% do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se do pior resultado dos últimos dez anos, e o valor só se concretizará se todos os investimentos previstos para o ano forem feitos de fato.

A análise do centro de estudos da Fundação Getulio Vargas abrange dados de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias. Segundo a pesquisa, ao longo dos últimos dez anos o Brasil está tornando sua infraestrutura ainda pior, e somente para recuperar e manter a infraestrutura de transportes atual seriam necessários investimentos de 3% do PIB.

O levantamento também verificou que desde 2014 os investimentos públicos no sistema de infraestrutura desabaram e a iniciativa privada passou a ser o principal investidor. Entretanto, o aporte privado também vem caindo, em função do forte sistema de regulação que desestimula o capital privado em tempos de crise fiscal e econômica. Dos 0,32% do PIB previstos, 0,15% deverão ser recursos públicos, enquanto 0,17% serão de capital privado.

O sistema rodoviário é o que mais recebe recursos, ainda que muito abaixo do necessário. Dessa conjuntura, aponta o estudo, resultam aumentos de custo logístico, danos aos veículos, perdas de carga e gastos na saúde em função de acidentes. Torna-se mais caro exportar, há perda de competitividade interna e externa e os produtos ficam mais caros no ponto de venda ao consumidor.

“O país tem a quarta maior malha rodoviária do mundo, com 1,6 milhão de km, porém apenas 13,7% são pavimentados – 57% das estradas estão em condições ruins ou péssimas. Já a malha ferroviária é a décima maior do mundo, com 30 mil km, mas apenas 10 mil km são explorados, com concentração no escoamento de minérios e derivados. Há 137 portos e terminais, dos quais apenas 45 têm conexão internacional, mas com graves deficiências”, destaca Marcus Quintella, um dos coordenadores do FGV Transportes.

Segundo o levantamento, seria preciso planejar as grandes obras e deixar pronto um projeto executivo para quando houver verba, uma vez que as crises são cíclicas e, portanto, seguidas de períodos de bonança. O FGV Transportes recomenda ainda que, até que os grandes projetos saiam do papel, sejam feitas pequenas intervenções e correções que não demandam altos investimentos, mas podem gerar melhorias que se revertam em receitas e aumento da produtividade.

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