Sexta-feira, 14 de agosto de 2020 - 9h44
Santos Brasil registra recuo das operações no segundo trimestre de 2020
Terminais de Santos, Imbituba e Vila do Conde registaram 256.725 contêineres movimentados, queda de 19,8% frente ao mesmo período do ano anterior

A Santos Brasil divulga que o volume total de movimentação de cais em seus três terminais – Santos (SP), Imbituba (SC) e Vila do Conde (PA) – recuou 19,8% no segundo trimestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao todo, a companhia movimentou 256.725 contêineres de abril a junho deste ano nas estruturas.

O Tecon Santos movimentou 220.362 contêineres no trimestre, queda de 22% em relação ao mesmo período de 2019. De acordo com a empresa, o desempenho se explica pela maior exposição do terminal às importações e ao transporte de cabotagem em detrimento das operações de embarque de exportação, mais resilientes à crise. A queda da movimentação de contêineres do Porto de Santos alcançou 3,6% no mesmo período, sustentada pelas exportações de commodities. O market share do Tecon Santos no porto foi de 33,4% no trimestre.

O Tecon Vila do Conde apresentou queda mais moderada, de 6,2% no segundo trimestre de 2020, totalizando 25.574 contêineres movimentados. O terminal foi beneficiado pelas exportações de commodities.

Já a movimentação de contêineres no Tecon Imbituba foi 4,6% maior em relação ao mesmo trimestre do ano passado, somando 10.789 contêineres de abril a junho deste ano.

O volume de contêineres armazenados na Santos Brasil Logística foi 30,5% menor no segundo trimestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019, sendo a principal causa a retração no volume de contêineres importados no Porto de Santos. A indústria automotiva foi a que apresentou a maior retração em volume de importação, consequência das paradas nas linhas de produção e o derivado impacto nos estoques de peças e componentes.

O Terminal de Veículos (TEV) movimentou 14.092 unidades no trimestre, volume 73,6% menor em relação ao ano passado. As exportações de veículos, que já vinham apresentando um desempenho negativo devido ao fraco mercado argentino, apresentaram queda de 69,1% ano contra ano. As importações de veículos foram 94,6% menores no segundo trimestre de 2020, quando comparadas ao mesmo período de 2019, com influência também da acentuada desvalorização cambial.

No segundo trimestre deste ano a companhia anuncia que apurou prejuízo líquido de R$ 9,4 milhões, comparado ao lucro líquido de R$ 6,3 no mesmo período de 2019. A receita líquida consolidada somou R$ 224,8 milhões, queda de 15,1% ao segundo trimestre do ano anterior. Além da retração nos volumes, a comparação entre as receitas ficou prejudicada, uma vez que a partir de agosto de 2019 a Santos Port Authority passou a cobrar diretamente do armador a tarifa portuária antes faturada com os terminais portuários. Ajustando-se essas rubricas, a queda apontada teria sido de 11%.

A Santos Brasil registrou, ainda, Ebitda de R$ 42,2 milhões no trimestre, 28,1% inferior a 2019, com margem de 18,8%. Em comparação ao primeiro trimestre deste ano, houve crescimento de 9,5%. Em base recorrente, o Ebitda foi de R$ 41,8 milhões, com margem de 18,6%.

O saldo de caixa e aplicações financeiras da Santos Brasil em 30 de junho de 2020 somou R$ 352 milhões, com endividamento líquido de R$ 83,9 milhões, que representou 0,78 vezes o Ebitda pró-forma (sem os efeitos do International Financial Reporting Standards – IFRS 16) dos últimos doze meses. No período, a companhia investiu R$ 46,8 milhões, sendo R$ 44,3 milhões no projeto de expansão e de reforço do cais do Tecon Santos, totalizando R$ 110 milhões no primeiro semestre de 2020.

De acordo com o diretor Econômico-Financeiro e de Relações com Investidores da Santos Brasil, Daniel Pedreira Dorea, as medidas adotadas tempestivamente para promover a contenção de gastos, o incremento marginal de receitas e a preservação da solidez financeira da companhia durante essa fase mais aguda da crise se mostraram eficazes.

“Por causa da pandemia, o ambiente de negócios se alterou drasticamente, o que prejudica a base comparativa do segundo trimestre de 2020 com o mesmo período do ano anterior. Todos estão trabalhando com uma realidade modificada, não normalizada. Então, neste trimestre, o nosso foco se concentrou em ações de contenção de gastos, incremento marginal de receitas e, principalmente, preservação de caixa, a fim de assegurar a liquidez de curto e longo prazo da companhia”, diz.

Segundo o executivo, houve melhora no resultado financeiro deste trimestre se comparado ao primeiro trimestre de 2020, o que é um sinal positivo. Além disso, completa, a empresa, manteve firme a saúde econômico-financeira da empresa, que sem pressões de curto prazo, mostra-se saudável para atravessar até mesmo períodos mais revoltos.

Para Dorea, os próximos meses devem ser mais benignos aos negócios da Santos Brasil, com sinais positivos, ainda que cautelosos, provenientes de dados econômicos melhores do que o esperado, na esteira da reabertura da economia, e estímulos fiscal e monetário continuados, com taxa de juros baixa e eventual manutenção do auxílio emergencial.