Segunda-feira, 9 de outubro de 2006 - 16h24
Porto do Rio Grande registra crescimento de 25,4%

Granéis sólidos foram os grandes responsáveis pelo aumento das operações

O Porto do Rio Grande fechou a sua movimentação nos oito primeiros meses do ano com um crescimento de 25,4% em comparação ao mesmo período do ano passado, atingindo 14,9 milhões de toneladas contra 11,9 milhões em 2005. As exportações tiveram um acréscimo de 37,5% no período e foram uma das principais responsáveis pelo aumento das operações no porto, assim como as importações, que de janeiro a agosto cresceram 7,9%.

O grande destaque foi a movimentação de granéis sólidos, com um crescimento de 52,2%, chegando a 8,2 milhões de toneladas. Nesse segmento as exportações de cereais registraram grande incremento, aumentando a sua movimentação em quase 120% e atingindo 4,74 milhões de toneladas, contra 2,18 milhões registrados de janeiro a agosto do ano passado.

Entre as cargas exportadas, a soja em grão foi a de maior evidência, sendo responsável por mais de 50% do volume movimentado de cereais, com 2,5 milhões de toneladas e um crescimento de 573,7%. A commodity está no topo do ranking do porto gaúcho desde 2001 – ela somente perdeu a posição em 2005, devido à forte estiagem que atingiu o Rio Grande do Sul. A China continua sendo o maior comprador de soja do estado, respondendo por 61% da movimentação, seguida pelo Irã (14,2%), Itália (5,4%) e Taiwan (4,7).

Os aumentos nas exportações dos derivados de soja, como o farelo (31,3%) e o óleo (46,1%), também auxiliaram no crescimento da movimentação total do porto. O arroz foi outra carga que obteve bom incremento (40,8%), atingindo 202,4 mil toneladas e chegando próximo ao total movimentado no ano de 2005 (240,4 mil toneladas, em 12 meses).

As importações de cereais repetiram o sucesso das exportações, com crescimento de 31,6% e chegando a 684,4 mil toneladas. A soja em grão teve um crescimento expressivo no volume importado (970,6%), com a movimentação de 235,3 mil toneladas. O farelo de soja seguiu a tendência e alcançou boa movimentação na importação, cerca de 196 mil toneladas (4,1%), assim como o trigo, com 187,1 mil toneladas operadas, um crescimento de 17,6% na comparação entre os primeiros meses de 2005 e 2006.

Contêineres em baixa

Além dos granéis sólidos, a movimentação de granéis líquidos também registrou alta, atingindo um índice positivo de 13,8% e passando de 2,2 para 2,6 milhões de toneladas. Já a movimentação de carga geral não seguiu a tendência de crescimento: a queda foi de 3%, diminuição também notada na movimentação de contêineres, pelos quais é embarcada e desembarcada grande parte da carga geral, como móveis, sapatos, celulose e peças de máquinas.

Na movimentação de contêineres ainda são sentidos os efeitos da greve dos caminhoneiros autônomos de Rio Grande, da gripe aviária, da febre aftosa e do dólar desfavorável às exportações. De janeiro a agosto deste ano, a movimentação de contêineres teve queda de 4,5% em relação ao mesmo período de 2005, chegando a 422,3 mil TEUs. O Terminal de Contêineres – Tecon Rio Grande, privado – registrou uma queda de 6,8%, operando 410,7 mil TEUs.

O setor de veículos também registrou queda nas importações, fechando os oito primeiros meses com saldo negativo de 2,4% e 8,8 mil veículos, enquanto no mesmo período do ano passado o total foi de nove mil. Esta diminuição foi impulsionada pela redução de 20,84% na entrada de rodantes, de 4.659 para 3.688. Os dois principais carros importados pelo porto gaúcho, o Omega australiano e o Corsa Classic argentino, tiveram suas entradas reduzidas no Brasil em 6,7% e 5,4%, respectivamente.

O crescimento de 17% nas exportações de veículos foi provocado principalmente pelo envio do Celta, produzido em Gravataí (RS). Na contramão do crescimento, houve quedas nas exportações de ônibus (-71,8%), colheitadeiras (-32,1%) e tratores (-1%). A queda na movimentação de maquinários agrícolas, um dos grandes destaques do Porto do Rio Grande, é atribuída à perda de competitividade no cenário internacional por causa do dólar desfavorável às exportações e pela subida nos preços de matéria-prima.

Mais embarcações

O crescimento na movimentação total do porto gaúcho foi acompanhado pelo acréscimo no número de embarcações que fizeram escala em Rio Grande. Ao todo, foram 2.252, um número 12,2% maior na comparação com o mesmo período do ano passado. A navegação de longo curso aumentou 14,4%, sendo responsável por quase 50% do total de embarcações que visitaram o porto, e, seguindo o crescimento, a navegação interior teve um acréscimo de 12%, chegando a 1.021 embarcações. Apenas a cabotagem registrou queda, passando de 132 para 128 embarcações.

Segundo o superintendente do Porto do Rio Grande, Vidal Áureo Mendonça, a projeção realizada pelo setor de estatística da superintendência do porto é de uma movimentação de 21,5 milhões de toneladas em 2006, considerada uma das melhores da sua história. “Além disso, esperamos movimentar neste ano nove milhões de toneladas de granéis agrícolas, o que seria um recorde para o porto”, afirma Vidal.

www.portoriogrande.com.br